As 35 regiões administrativas do DF: o que são, onde ficam e para que servem
Do Plano Piloto a Fercal, entenda a divisão administrativa que define como o Distrito Federal é governado e distribuído
O Distrito Federal não tem municípios. Em vez disso, é dividido em 35 regiões administrativas, chamadas de RAs. Cada região tem um administrador indicado pelo governador e um conjunto de bairros, quadras ou localidades sob sua gestão.
A divisão existe desde a fundação de Brasília, mas o número de RAs mudou ao longo do tempo. Em 1960, o DF tinha apenas 8 regiões. Hoje são 35, resultado de desmembramentos que acompanharam o crescimento populacional.
Para quem veio de outro estado, a lógica pode parecer estranha: não há prefeito, não há câmara municipal, não há eleição para administrador regional. O governo do DF centraliza tudo, e as administrações regionais funcionam como braços executivos do GDF em cada território.
A lista completa das 35 RAs
As regiões administrativas são numeradas por ordem de criação. Brasília é a RA I. Fercal, a mais nova, é a RA XXXI. As quatro RAs criadas em 2019 (Vicente Pires, Arniqueiras, Arapoanga e Sol Nascente/Pôr do Sol) completam as 35.
RA I — Brasília (Plano Piloto): O núcleo original da capital, com a Esplanada dos Ministérios, as Asas Norte e Sul, o Lago Sul e o Lago Norte. Sede dos poderes federal e distrital.
RA II — Gama: Ao sul do DF, fundada em 1960. Cerca de 140 mil habitantes, com forte tradição comercial e um dos polos industriais do DF.
RA III — Taguatinga: A segunda maior RA em população, com mais de 200 mil moradores. Centro comercial mais movimentado do DF fora do Plano Piloto. Surgiu em 1958, antes mesmo da inauguração de Brasília.
RA IV — Brazlândia: No extremo noroeste do DF, na divisa com Goiás. Menor densidade urbana, forte produção agrícola — especialmente morango e derivados.
RA V — Sobradinho: Fundada em 1960 para abrigar trabalhadores da construção civil. Hoje tem Sobradinho I e II como localidades distintas, com mais de 160 mil moradores no total.
RA VI — Planaltina: A mais antiga entre as RAs do DF, com núcleo histórico tombado pelo IPHAN datado de 1859. É também a maior em extensão territorial.
RA VII — Paranoá: Às margens do Lago Paranoá, no lado leste do DF. Cresceu a partir dos acampamentos de operários da barragem do Paranoá.
RA VIII — Núcleo Bandeirante: Uma das primeiras cidades-satélites, surgida do acampamento "Cidade Livre" dos trabalhadores da construção. Localiza-se entre o Plano Piloto e o Guará.
RA IX — Ceilândia: A maior RA do DF em população, com mais de 500 mil habitantes. Criada em 1971 a partir da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI). Tem Sol Nascente e Pôr do Sol, as maiores favelas do Brasil em extensão, dentro de seu território.
RA X — Guará: Planejada na década de 1960, tem dois setores principais (Guará I e Guará II) e fica entre o Núcleo Bandeirante e Taguatinga. Abriga a Feira dos Importados e o Polo de Modas.
RA XI — Cruzeiro: Pequena e bem localizada, entre o Plano Piloto e o Sudoeste. Dividida em Cruzeiro Novo e Cruzeiro Velho.
RA XII — Samambaia: Segunda maior RA em população, com mais de 260 mil moradores. Criada na década de 1980 para receber famílias transferidas de invasões do Plano Piloto.
RA XIII — Santa Maria: No sul do DF, criada em 1992. Uma das regiões com maior crescimento nas últimas décadas, com mais de 130 mil habitantes.
RA XIV — São Sebastião: A leste do Lago Paranoá, faz divisa com Luziânia (GO). Crescimento intenso nos últimos 20 anos, com mistura de condomínios de alta renda e áreas populares.
RA XV — Recanto das Emas: Criada em 1993, fica no sudoeste do DF. Mais de 150 mil moradores, população predominantemente de baixa e média renda.
RA XVI — Lago Sul: A RA de maior renda per capita do DF, com chácaras e casas de alto padrão às margens do Lago Paranoá.
RA XVII — Riacho Fundo: Surgiu de parcelamentos irregulares na década de 1980 e foi regularizada como RA em 1993. Localiza-se entre o Guará e Santa Maria.
RA XVIII — Lago Norte: Do outro lado do lago em relação ao Lago Sul, também de alto padrão. Abriga a Península Norte, área residencial planejada com casas e sobrados.
RA XIX — Candangolândia: A menor RA do DF em extensão, com cerca de 15 mil moradores. Fica entre o Núcleo Bandeirante e o Setor de Indústrias.
RA XX — Águas Claras: A RA que mais cresceu nos últimos 20 anos. Surgiu como cidade planejada ao longo da Linha Verde do metrô e hoje tem mais de 150 mil moradores em apartamentos de médio e alto padrão.
RA XXI — Riacho Fundo II: Desmembrada do Riacho Fundo em 2003. Fica na margem oposta do córrego homônimo, com perfil socioeconômico similar à RA XVII.
RA XXII — Sudoeste/Octogonal: Dois bairros planejados do Plano Piloto que foram desmembrados em RA própria. Alta renda, próximos ao Eixo Monumental.
RA XXIII — Varjão: Pequena RA encravada entre o Lago Norte e Sobradinho. Surgiu de invasão e foi regularizada. Menos de 10 mil moradores.
RA XXIV — Park Way: Zona rural residencial de lotes grandes, ao sul do Plano Piloto. Perfil de alta renda, com muitas chácaras e casas com terrenos extensos.
RA XXV — SCIA/Estrutural: A RA mais vulnerável do DF. A Cidade Estrutural cresceu ao redor do maior lixão da América Latina, desativado em 2018. Ainda sofre com infraestrutura precária.
RA XXVI — Sobradinho II: Desmembrada de Sobradinho em 2003, com parte do território que cresceu a leste da RA original.
RA XXVII — Jardim Botânico: Condomínios de alta e média renda na área próxima ao Jardim Botânico de Brasília, na divisa com São Sebastião.
RA XXVIII — Itapoã: Surgiu de ocupação irregular na década de 1990 e foi regularizada como RA em 2005. Mais de 70 mil moradores, perfil de baixa renda, entre o Paranoá e São Sebastião.
RA XXIX — SIA: O Setor de Indústrias e Abastecimento é uma RA essencialmente comercial e industrial, com poucos moradores. Abriga a Feira dos Importados e grandes atacadistas.
RA XXX — Vicente Pires: Criada em 2019, desmembrada do Guará e Taguatinga. Cresceu como condomínio irregular nos anos 1990 e hoje tem mais de 70 mil moradores em casas de médio padrão.
RA XXXI — Fercal: A mais ao norte do DF, na divisa com Planaltina (GO) e Padre Bernardo (GO). Economia baseada em calcário e cimento. Menos de 10 mil moradores.
RA XXXII — Arniqueiras: Criada em 2019 a partir de parte de Águas Claras. Área residencial de médio padrão, com forte crescimento nos últimos anos.
RA XXXIII — Arapoanga: Desmembrada de Planaltina em 2019, cobre o setor norte da antiga RA com perfil de baixa e média renda.
RA XXXIV — Sol Nascente/Pôr do Sol: Criada em 2019 como desmembramento de Ceilândia. O Sol Nascente é a maior favela do Brasil em extensão territorial, com mais de 90 mil moradores. Objeto de grande projeto de urbanização do PAC.
RA XXXV — Pôr do Sol: Tecnicamente integrada à RA XXXIV (Sol Nascente/Pôr do Sol) na nomenclatura oficial, mas com identidade de bairro distinto no cotidiano dos moradores.
Por que isso importa para quem mora no DF
A RA define qual administração regional cuida das ruas, parques e serviços do seu bairro. É o administrador regional quem aciona obras de tapa-buraco, organiza feiras e fiscaliza comércio local.
Para serviços de saúde, educação e segurança, o que importa é a Região de Saúde ou a circunscrição da delegacia e do batalhão da PMDF — que não coincidem exatamente com os limites das RAs.
O CEP e o endereço formal de um imóvel seguem a RA em que está localizado, o que tem efeito prático no IPTU, no registro de imóvel e em outros serviços públicos.