Rede pública do DF tem 43% dos professores em regime temporário
Levantamento aponta que quase metade do corpo docente das escolas públicas do DF é formada por professores contratados sem estabilidade.
Um levantamento da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) revelou que 43% dos professores que atuam nas escolas públicas do DF estão em regime de contratação temporária, sem estabilidade funcional. O dado aponta para uma fragilidade estrutural no sistema de ensino público da capital que impacta diretamente a qualidade e a continuidade pedagógica oferecida aos estudantes.
A rotatividade decorrente do alto percentual de temporários tem efeitos concretos no cotidiano escolar. Professores contratados por tempo determinado tendem a não permanecer nas mesmas escolas por mais de um ou dois anos, o que dificulta a construção de vínculos com a comunidade escolar e o acompanhamento longitudinal dos alunos.
Diretores de escolas públicas ouvidos pelo DistritoNews relatam que o início de cada ano letivo é marcado pela incerteza sobre quais professores permanecerão. "É como montar um quebra-cabeça todo ano. Você perde os professores que já conhecem a escola, os alunos, as famílias. O recomeço constante prejudica todo mundo", disse uma diretora de escola em Taguatinga.
A SEEDF reconhece o problema e aponta o novo concurso público, com mais de 10 mil vagas, como a principal medida para reverter o quadro. A expectativa é que, com o preenchimento das vagas do certame ao longo dos próximos dois anos, o percentual de temporários caia para menos de 20% do corpo docente.
Pesquisadores em políticas educacionais alertam que a solução vai além da realização de concursos. É preciso garantir condições de trabalho, remuneração competitiva e plano de carreira atrativo para reter os profissionais aprovados. "O DF já teve situações em que professores aprovados em concurso público preferiram atuar na rede privada porque as condições não eram atrativas o suficiente", observa uma pesquisadora da área.
O SINPRO-DF utiliza os dados como argumento central na campanha pelo fim da contratação temporária na rede pública. O sindicato defende que todos os contratos temporários sejam encerrados progressivamente à medida que os aprovados no novo concurso tomem posse, garantindo a transição sem prejudicar o funcionamento das escolas.