Cultura & Lazer

Morre a atriz Laura Cardoso aos 98 anos; velório é nesta terça em SP

Condecorada em Brasília em 2006 com a Ordem do Mérito Cultural, ela interpretou mais de 60 personagens na televisão em mais de sete décadas de carreira

A atriz Laura Cardoso morreu aos 98 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada na madrugada desta terça-feira, 18 de agosto, pelo perfil da artista nas redes sociais. O velório acontece nesta terça, das 8h às 14h, no Funeral Home, na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro da Bela Vista.

Nascida Laurinda de Jesus Balleroni, ela construiu uma das carreiras mais longas da dramaturgia brasileira, com mais de sete décadas de trabalho em televisão, cinema, teatro e dublagem. Só na TV, interpretou mais de 60 personagens.

Entre os papéis mais lembrados estão dona Izaura, de Mulheres de Areia, Guiomar, de A Viagem, e Sinhana Coragem, de Irmãos Coragem. As últimas aparições na televisão foram como dona Sinhá, em Sol Nascente, e como Caetana de Souza, em O Outro Lado do Paraíso, papel que fez já aos 90 anos.

A comenda recebida em Brasília

Laura Cardoso esteve na capital em 8 de novembro de 2006 para receber a Ordem do Mérito Cultural, principal condecoração cultural do governo federal. Ela foi agraciada na 12ª edição da premiação, em cerimônia registrada pela Agência Brasil, com a comenda entregue pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A honraria é concedida a personalidades e instituições que se destacam na cultura brasileira, e a lista de agraciados de cada edição é definida por comissão do próprio ministério.

Prêmios e reconhecimento

A atriz acumulou algumas das principais distinções da dramaturgia e do audiovisual do país ao longo da carreira:

  • Troféu Grande Otelo, três vezes
  • Prêmio APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, cinco vezes
  • Prêmio Guarani Honorário, em 2021
  • Troféu Oscarito, em 2023
  • Troféu Imprensa, duas vezes

A trajetória atravessou fases distintas da televisão brasileira, do teleteatro dos primeiros anos às novelas de maior audiência das décadas seguintes, e chegou ao cinema em produções recentes. No teatro, atuou em montagens de repertório clássico e contemporâneo, e também trabalhou com dublagem, atividade menos visível que sustentou parte da carreira de vários atores da sua geração.

A permanência em cartaz depois dos 90 anos é rara na televisão brasileira e foi o que manteve a atriz conhecida por gerações diferentes de público. Espectadores que a viram em Irmãos Coragem, exibida no início dos anos 1970, e espectadores que a conheceram em O Outro Lado do Paraíso, quatro décadas depois, acompanharam a mesma intérprete.

Boa parte dos papéis que ficaram na memória do público são personagens de composição, matriarcas e mulheres do interior construídas com sotaque, gestual e temperamento próprios, e não papéis de protagonista jovem. Foi nesse tipo de personagem que ela concentrou os prêmios de crítica.

A morte foi lamentada ao longo desta terça por colegas de profissão nas redes sociais. Até a publicação desta reportagem, não havia divulgação oficial sobre sepultamento ou cremação após o velório.

Em Brasília, a agenda cultural desta semana segue com atividades em espaços públicos e privados, entre elas o Festival de Teatro do DF, que recebe inscrições de grupos locais até 20 de agosto.

A programação de homenagens à atriz ainda não foi anunciada por emissoras ou por instituições culturais. Familiares e assessoria não informaram se haverá cerimônia aberta ao público além do velório desta terça.

11 visualizações