Jabuti Acadêmico premia cinco obras em cerimônia em São Paulo
Terceira edição do prêmio da Câmara Brasileira do Livro distribuiu R$ 5 mil por autor vencedor e homenageou o físico José Goldemberg como personalidade acadêmica de 2026
A Câmara Brasileira do Livro anunciou os vencedores do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico em cerimônia realizada na terça-feira, 11 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Foram premiadas cinco obras, uma em cada categoria, e cada autor vencedor recebeu R$ 5 mil e a estatueta do prêmio.
A premiação é a versão da CBL voltada à produção científica e editorial universitária, com categorias organizadas por grandes áreas do conhecimento em vez de gêneros literários.
Os vencedores por categoria
- Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais: "O jeito Yanomami de pendurar redes", de Thiago Benucci (Perspectiva)
- Economia: "A loteria do nascimento: filha do porteiro termina universidade, mas não alcança filho do rico", de Fillipi Nascimento e Michael França (Jandaíra)
- Ciências Agrárias e Ciências Ambientais: "Saúde do solo em ecossistemas tropicais: a base para mitigação e adaptação às mudanças climáticas", de Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, Carlos Roberto Pinheiro Junior, Lucas Pecci Canisares e Maurício Roberto Cherubin (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz)
- Ciências da Religião e Teologia: "Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores", de Reginaldo Prandi (Pallas)
- Comunicação e Informação: "Crime sem castigo: como os militares mataram Rubens Paiva", de Juliana Dal Piva (Matrix)
A homenagem de Personalidade Acadêmica 2026 foi para o físico, professor e pesquisador José Goldemberg. Na categoria Livro Acadêmico Clássico, o reconhecimento ficou com "História das Mulheres no Brasil", de Mary Del Priore.
"Divido esse prêmio com cada colega, aluno e instituição que ousa acreditar que o futuro do Brasil se constrói com educação pública, ciência e coragem", declarou Goldemberg.
O que o prêmio mede
Sevani Matos, presidente da CBL, afirmou que a premiação reconhece "obras de alta qualidade que evidenciam a força da pesquisa e da produção editorial acadêmica no Brasil".
A CBL é a entidade que reúne editores, distribuidores e livreiros no país e responde pela organização do Jabuti desde a criação do prêmio. A divulgação desta edição não trouxe o número de obras inscritas nem a composição do júri por categoria.
O recorte acadêmico separa esse prêmio do Jabuti tradicional, que a CBL realiza desde 1959 e que julga ficção, poesia, tradução, ilustração e produção editorial. No Acadêmico, o critério pesa a contribuição científica da obra e a qualidade da edição, segmento em que as editoras universitárias e as fundações de pesquisa concentram o catálogo.
Duas das obras premiadas dialogam com pautas de cobertura permanente no Distrito Federal. A vencedora de Economia trata da relação entre origem familiar e conclusão do ensino superior, tema que aparece nos indicadores de acesso à universidade pública. A de Comunicação e Informação reconstitui o assassinato do deputado Rubens Paiva durante a ditadura militar, episódio ligado à história política do país e ao acervo de processos que tramitam em Brasília.
O calendário de premiações literárias tem se concentrado no segundo semestre. Em julho, o escritor Cristovão Tezza foi anunciado vencedor do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto da obra.