Brasil se torna o 2º país mais tarifado pelos Estados Unidos
Tarifa média sobre produtos brasileiros chegou a 17,7% em julho, atrás apenas da China, que enfrenta 27,2%
O Brasil se tornou em julho o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. A tarifa média aplicada aos produtos brasileiros no mercado americano subiu para 17,7%, contra 27,2% cobrados dos chineses.
A virada ocorreu entre os dias 22 e 24 de julho, quando o governo de Donald Trump passou a aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Como o país chegou a essa posição
A cobrança da Seção 301 se somou a um adicional de 12,5% imposto ao Brasil e a outros 59 países, decorrente de investigação do governo americano sobre trabalho forçado. A combinação das duas medidas empurrou a média brasileira para o segundo posto da lista.
A Seção 301 permite ao Executivo americano retaliar práticas consideradas desleais por Washington, sem passar pelo Congresso dos EUA. O instrumento foi o mesmo usado na disputa comercial com a China no ciclo anterior.
- Tarifa média sobre o Brasil: 17,7%
- Tarifa média sobre a China: 27,2%
- Tarifa da Seção 301: 25%
- Adicional por investigação sobre trabalho forçado: 12,5%
- Países atingidos pelo adicional: 60, incluindo o Brasil
O efeito sobre a pauta exportadora
A tarifa encarece o produto brasileiro na prateleira americana e reduz a margem do exportador, que precisa escolher entre absorver o custo ou perder espaço para concorrentes de países menos taxados. Setores com maior exposição ao mercado dos Estados Unidos sentem primeiro.
Parte dos embarques pode ser redirecionada para outros destinos, movimento que leva tempo e costuma vir com preço menor. Contratos de longo prazo já assinados amortecem o impacto nos primeiros meses.
A discussão em Brasília
O tema ocupa a agenda do Congresso e do Itamaraty, ambos sediados na capital. Comissões da Câmara e do Senado acompanham as negociações com Washington, e o setor produtivo tem levado suas demandas às audiências realizadas em Brasília.
Enquanto a negociação bilateral não avança, a tarifa segue em vigor. Empresas exportadoras acompanham as publicações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que detalha os produtos alcançados por cada medida.