Focus corta projeção da Selic para 13,75% na véspera do Copom
Boletim desta segunda (3) reduz também a estimativa de inflação de 2026 para 5,03%; comitê se reúne terça e quarta em Brasília
O mercado financeiro passou a projetar a Selic em 13,75% no fim de 2026, contra 14% na semana anterior. A revisão aparece no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (3) pelo Banco Central, um dia antes de o Comitê de Política Monetária iniciar a reunião que define a taxa básica de juros.
A taxa está hoje em 14,25% ao ano. Se a projeção se confirmar até dezembro, o país fecharia o ano com juro básico meio ponto percentual abaixo do patamar atual.
A estimativa para a inflação também recuou. A mediana do IPCA de 2026 passou de 5,12% para 5,03%. Para 2027, as projeções do boletim indicam 4,22% de inflação e Selic de 12%.
O que o Focus mede
O Focus reúne toda semana as projeções de mais de cem instituições financeiras e consultorias para inflação, juros, câmbio e atividade. O boletim sai às segundas-feiras e consolida as expectativas coletadas até a sexta anterior.
Ele não é previsão oficial do Banco Central. É a leitura do mercado, e serve como termômetro para o próprio Copom avaliar se as expectativas estão ancoradas na meta de inflação.
Números do boletim desta segunda:
- IPCA 2026: 5,03%
- IPCA 2027: 4,22%
- Selic no fim de 2026: 13,75%
- Selic no fim de 2027: 12%
- PIB 2026: crescimento de 1,99%
- Dólar no fim de 2026: R$ 5,20
Copom decide na quarta
O Comitê de Política Monetária se reúne nesta terça-feira (4) e nesta quarta-feira (5), na sede do Banco Central, no Setor Bancário Sul. O comunicado com a decisão sai na quarta, depois do fechamento do mercado.
O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição. As reuniões ocorrem a cada 45 dias, em dois dias seguidos: no primeiro, as áreas técnicas apresentam os cenários; no segundo, o colegiado vota.
Onde o brasiliense sente
A Selic é a referência do custo do dinheiro no país. Ela baliza o rendimento da poupança, do Tesouro Selic e dos CDBs, e também o juro cobrado no cheque especial, no rotativo do cartão e no crédito imobiliário.
A transmissão não é imediata. Uma redução decidida agora leva de dois a três trimestres para chegar ao consumidor final, e chega antes ao crédito novo do que ao contrato já assinado.
No Distrito Federal, a renda média mais alta e a concentração de servidores públicos deixam o crédito consignado e o financiamento de imóvel com peso relevante no orçamento das famílias. São justamente as linhas mais sensíveis ao ciclo de juros.
O que observar no comunicado
Mais do que o número da taxa, o mercado costuma reagir ao texto do comunicado. Duas passagens concentram a atenção: a avaliação sobre as expectativas de inflação e a sinalização, quando existe, sobre o ritmo das próximas decisões.
O boletim Focus da semana seguinte mostra como as projeções se ajustaram à decisão. É nele que aparece se o mercado leu o comunicado como abertura para novos cortes ou como pausa.