Economia

Prévia do PIB recua 0,2% em julho e acumula dois meses de queda

Índice do Banco Central veio abaixo da expectativa do mercado, puxado pela agropecuária e pela indústria

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) caiu 0,2% em julho na comparação com junho, na série com ajuste sazonal. O dado foi divulgado pela autoridade monetária nesta quarta-feira (16) e representa o segundo mês seguido de retração do indicador, conhecido no mercado como prévia do Produto Interno Bruto.

O resultado veio abaixo da mediana das estimativas de analistas consultados pelo Poder360, que projetavam queda de 0,10%. Em 12 meses até julho, o índice acumula alta de 1,5%. No trimestre encerrado em julho, na comparação com o trimestre terminado em abril, o IBC-Br recuou 0,3%.

O que puxou o resultado para baixo

Segundo o Banco Central, o desempenho mensal negativo foi influenciado principalmente por dois setores. A agropecuária recuou 1,2% ante junho, e a indústria caiu 0,4% no mesmo intervalo. Os serviços ficaram estáveis, com variação de 0,0%.

O peso da agropecuária no indicador ajuda a explicar a intensidade da queda. O setor concentra sua produção em poucos meses do ano, e a passagem do pico da safra costuma derrubar a leitura mensal mesmo quando a atividade segue positiva na comparação anual.

  • IBC-Br em julho: queda de 0,2% ante junho, com ajuste sazonal
  • Em 12 meses: alta de 1,5%
  • No trimestre até julho: queda de 0,3%
  • Agropecuária: recuo de 1,2%
  • Indústria: recuo de 0,4%
  • Serviços: estabilidade, com 0,0%

Por que o número importa para a Selic

O IBC-Br reúne estimativas de produção da indústria, do comércio, dos serviços e da agropecuária, além do efeito de impostos. É o termômetro mensal que o Banco Central acompanha entre uma divulgação e outra do PIB oficial, calculado trimestralmente pelo IBGE.

Atividade mais fraca costuma abrir espaço para juros menores, porque reduz a pressão de demanda sobre os preços. O indicador é uma das referências observadas pelo Comitê de Política Monetária, que se reúne nesta quarta-feira (16) para definir a taxa Selic.

Vale a ressalva metodológica: o IBC-Br não substitui o PIB e costuma divergir do resultado oficial, porque usa proxies de produção em vez do cálculo completo de valor adicionado. A leitura mais segura é a da tendência, e ela aponta para perda de ritmo no terceiro trimestre.

Dois meses seguidos de queda

A leitura de julho se soma à de junho, quando o IBC-Br havia recuado 0,6%. A sequência negativa muda a leitura do terceiro trimestre: em vez de um tropeço isolado, o indicador passa a desenhar perda de ritmo depois de um primeiro semestre sustentado pela safra e pelo consumo das famílias.

Para o Distrito Federal, a composição do índice importa mais do que o número. A economia local depende pouco de indústria e muito de serviços e de administração pública, o segmento que ficou estável em julho. Quedas puxadas por agropecuária e indústria tendem a atingir o DF de forma indireta, pela via da arrecadação federal e do ritmo de contratação no setor privado.

O dado de julho também serve de referência para a revisão das projeções de PIB do ano, que o mercado atualiza semanalmente no Boletim Focus, do Banco Central. Duas quedas seguidas na prévia costumam antecipar corte nas estimativas para o terceiro trimestre.

Leia também: IBC-Br recua 0,6% em junho e prévia do PIB desacelera no 2º trimestre.

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