Economia

PMI de serviços cai a 49,3 em junho e mostra contração no setor

Índice de gerentes de compras do setor de serviços recuou a 49,3 pontos em junho, abaixo da linha de 50 que separa expansão de contração, segundo a S&P Global.

O PMI de serviços do Brasil caiu para 49,3 pontos em junho, ante 49,6 em maio, informou a S&P Global. O índice ficou pelo segundo mês abaixo da marca de 50 pontos, o que indica retração da atividade no setor.

O PMI composto, que reúne serviços e indústria, recuou de 49,1 para 48,7 pontos no mês. É a leitura mais fraca do indicador desde janeiro.

O resultado sugere que a economia brasileira perdeu tração no encerramento do primeiro semestre. Serviços respondem pela maior fatia do PIB e do emprego urbano, o que dá peso ao dado.

A diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence, Pollyanna de Lima, atribuiu a fraqueza a fatores como o custo elevado do crédito e a incerteza política. O calendário eleitoral de 2026 também pesou sobre a confiança das empresas.

Um índice abaixo de 50 significa que mais empresas relataram queda de negócios do que crescimento. Isso costuma antecipar desaceleração na geração de vagas e na demanda por novos contratos.

Os juros altos aparecem no centro das explicações. Com a Selic em 14,25% ao ano, o crédito segue caro para famílias e prestadores de serviços, o que trava planos de expansão.

A pesquisa mostra ainda que a pressão de custos permaneceu presente, com repasse de aumentos aos preços cobrados dos clientes. Esse componente costuma preocupar o Banco Central na avaliação da inflação de serviços, historicamente mais rígida.

O PMI é elaborado a partir de questionários enviados a executivos de compras de centenas de empresas. Por captar decisões em tempo real, funciona como termômetro antecipado da atividade, antes mesmo dos dados oficiais do IBGE.

A leitura negativa contrasta com a resiliência do mercado de trabalho observada nos últimos meses. O descompasso reforça a leitura de que a economia entra em fase de acomodação após o vigor do começo do ano.

O próximo passo do mercado é avaliar se a fraqueza dos serviços vai se traduzir em revisão para baixo das projeções de crescimento no segundo semestre.

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