Consulta pública sobre regras do ensino a distância termina sexta
MEC recebe contribuições até 14 de agosto na plataforma Brasil Participativo; texto define carga horária presencial obrigatória e regras para polos de apoio
O Ministério da Educação (MEC) recebe até esta sexta-feira (14) as contribuições da consulta pública sobre o novo marco regulatório dos cursos de graduação ofertados na modalidade de educação a distância (EaD). A participação é feita pela plataforma Brasil Participativo, com login na conta gov.br.
A consulta é etapa obrigatória prevista no Decreto 12.456/2025 e alimenta o trabalho da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CES/CNE), responsável por consolidar a redação final do parecer e do projeto de resolução que vai reger a modalidade.
Podem participar estudantes, professores, pesquisadores, gestores de instituições públicas e privadas de ensino superior, entidades da sociedade civil e demais interessados. O MEC informa que os dados dos participantes são usados apenas para fins estatísticos e de formulação de política pública, sem divulgação individual.
O que está em discussão
A minuta em consulta trata dos pontos que definem, na prática, o que separa um curso a distância de qualidade de um diploma vendido por videoaula. Quatro eixos concentram as propostas.
- Oferta híbrida: percentuais e critérios para a carga horária presencial obrigatória, incluindo laboratórios e atividades de extensão, combinada com atividades virtuais síncronas e assíncronas
- Padrões de ensino: parâmetros de interação entre professores, tutores e alunos
- Polos de apoio: exigências para a estrutura física que presta suporte tecnológico e acadêmico ao estudante
- Acompanhamento acadêmico: monitoramento pedagógico ao longo de toda a graduação
A exigência de carga horária presencial é o ponto de maior atrito entre o setor privado, que responde pela ampla maioria das matrículas em EaD no país, e entidades de docentes e conselhos profissionais, que cobram piso mínimo de atividade prática em cursos como enfermagem, odontologia e engenharia.
O tema não é novo no Congresso. Em 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou proposta que proíbe a oferta a distância em cursos da área da saúde, sinal de que a pressão por restrição vem de mais de uma frente.
Prazos e próximas etapas
Encerrado o prazo de contribuição, começa o período de sistematização das propostas recebidas, entre 15 e 22 de agosto. Depois disso, o CNE analisa as sugestões para fechar o texto do parecer e da resolução.
A atualização das diretrizes busca adequar as normas da educação a distância às transformações digitais e aos novos critérios de acompanhamento acadêmico, mantendo, segundo o MEC, a equivalência de qualidade entre as modalidades presencial e a distância.
Para o Distrito Federal, o resultado pesa em dois sentidos. A capital concentra matrículas em faculdades privadas que operam com forte presença de EaD, e a mudança nas regras de polo de apoio afeta diretamente a estrutura que essas instituições precisam manter nas regiões administrativas. Do outro lado, a decisão será tomada em Brasília, onde ficam o MEC e o CNE.
Quem quiser contribuir precisa acessar a plataforma Brasil Participativo, fazer login com a conta gov.br e localizar a consulta sobre o marco regulatório da EaD. As contribuições podem ser feitas por artigo da minuta, o que permite comentar apenas o trecho de interesse em vez do documento inteiro.