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Depay decide acionar o Corinthians e cobrança pode chegar a R$ 180 milhões

Estafe do holandês reúne provas de que havia acordo verbal para renovar por duas temporadas e vai somar a dívida do contrato antigo ao valor do vínculo que não foi assinado

O atacante holandês Memphis Depay decidiu recorrer à Justiça contra o Corinthians, e a cobrança pode chegar a R$ 180 milhões, segundo informação divulgada pelo ge nesta quarta-feira, 12. A decisão foi tomada depois que a diretoria presidida por Osmar Stabile desistiu de assinar a renovação que já vinha sendo negociada.

O valor é dividido em duas partes. A primeira corresponde à dívida do contrato anterior, que chegou a R$ 77 milhões com bônus atrasados, juros e multa. A segunda diz respeito ao vínculo que não foi formalizado, estimado em US$ 20 milhões, cerca de R$ 103 milhões pela cotação atual.

O argumento do jogador

O grupo que representa Depay sustenta que houve acordo de boa-fé entre as partes antes do rompimento. Como prova, aponta três elementos: os exames médicos realizados no Brasil, a presença do atacante em uma partida do Corinthians na Neo Química Arena e a troca de e-mails e documentos por aplicativos de mensagem com os termos do novo contrato.

No direito do trabalho e no direito civil, a existência de tratativas avançadas pode gerar responsabilidade mesmo sem assinatura, quando ficam demonstrados atos concretos de execução do que foi combinado. É essa tese que o estafe do jogador pretende levar ao Judiciário.

O que está em jogo para o clube

O Corinthians vive quadro financeiro apertado e já parcelou pagamentos ao atacante durante a vigência do contrato anterior. Uma condenação no valor cobrado teria peso relevante no orçamento do clube e poderia gerar bloqueio de receitas, medida comum em execuções trabalhistas e cíveis no futebol.

  • Dívida do contrato anterior: R$ 77 milhões, com bônus, juros e multa
  • Contrato não formalizado: US$ 20 milhões, cerca de R$ 103 milhões
  • Total estimado da cobrança: R$ 180 milhões
  • Provas citadas: exames médicos, presença em jogo na Neo Química Arena e troca de mensagens

A negociação para estender o vínculo por mais duas temporadas se arrastou e travou na etapa final, quando faltava apenas a assinatura do presidente do clube.

Onde a disputa pode correr

Cobranças de jogador contra clube costumam seguir três caminhos. O primeiro é a Justiça do Trabalho, quando a discussão envolve salários, luvas e direito de imagem previstos no contrato de trabalho desportivo. O segundo é a Justiça comum, usada em disputas contratuais entre empresas, já que parte da remuneração de atletas estrangeiros é paga por contratos de imagem firmados com pessoas jurídicas.

O terceiro caminho é a esfera esportiva. Jogadores podem levar dívidas à Fifa, que tem procedimento próprio para inadimplência de clubes e pode aplicar sanções desportivas, entre elas o impedimento de registrar novos atletas. Esse último ponto é o que mais pesa em negociações desse tipo, porque atinge diretamente a montagem do elenco.

O clube já vinha parcelando valores devidos ao atacante antes do rompimento, o que reforça a tese de reconhecimento da dívida anterior. A parte referente ao contrato não assinado é a mais controversa, por depender da demonstração de que as tratativas chegaram ao ponto de gerar obrigação.

Procurado, o Corinthians não se manifestou sobre a cobrança até a publicação desta reportagem. Os representantes do jogador também não divulgaram a data em que a ação será protocolada nem em qual esfera da Justiça.

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