Quadrilha suspeita de 35 furtos a comércios da Asa Norte é presa
Grupo respondia por cerca de 80% dos furtos registrados em estabelecimentos da região nos últimos dois anos, segundo a 2ª Delegacia de Polícia
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu quatro suspeitos de integrar uma quadrilha que arrombava comércios da Asa Norte, em operação deflagrada nesta terça-feira (11). O grupo é investigado por ao menos 35 furtos cometidos nos últimos dois anos.
A ação foi conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia, responsável pela Asa Norte. Segundo os investigadores, os quatro respondem por cerca de 80% dos furtos registrados em estabelecimentos comerciais da região no período, o que concentra em um único grupo a maior parte de um problema que se arrastava havia dois anos.
Como o grupo agia
As ações eram noturnas, depois do fechamento das lojas. Os suspeitos usavam lanternas para localizar o que levar dentro dos estabelecimentos e dividiam funções: um deles entrava no imóvel enquanto os outros permaneciam do lado de fora, observando a rua.
Entre os alvos identificados pela investigação estão um centro de artes marciais e uma loja de materiais de construção. A escolha mistura estabelecimentos de perfis distintos, o que indica que o critério era a facilidade de entrada, não o tipo de mercadoria.
Os presos respondem por roubo, furto qualificado e associação criminosa. A PCDF não divulgou o prejuízo estimado nem a lista de objetos recuperados até a publicação desta reportagem. Todos são tratados como suspeitos enquanto não houver condenação definitiva.
Por que a Asa Norte concentra esse tipo de crime
As quadras comerciais da Asa Norte esvaziam completamente à noite. Diferente de um shopping, que mantém segurança patrimonial e circulação após o fechamento, o comércio de rua da região fica sem movimento e sem vigilância presencial por até dez horas seguidas.
Esse intervalo é o que torna o furto viável. O arrombamento pode levar minutos, mas a descoberta só acontece na manhã seguinte, quando o comerciante abre a loja. Sem registro em vídeo, a apuração começa sem elemento nenhum.
A divisão de tarefas descrita pela investigação reforça o ponto. Manter alguém do lado de fora não serve para carregar mercadoria, e sim para avisar sobre viatura e pedestre. É o comportamento de quem já conhece o roteiro de patrulhamento da área e sabe quanto tempo tem antes da próxima ronda.
Um grupo, 80% do problema
O dado que sustenta a operação é a concentração. Quando quatro pessoas respondem por cerca de 80% dos furtos a comércios de uma região inteira ao longo de dois anos, o que parecia um problema difuso de segurança pública se revela um problema de autoria, e a prisão tende a produzir queda imediata nos registros.
Esse padrão aparece com frequência em crime patrimonial de rua. Ao contrário do que a percepção sugere, não há dezenas de autores independentes atuando na mesma área: um núcleo pequeno repete o método até ser identificado, geralmente pela soma de imagens de câmera, reconhecimento de objetos recuperados e cruzamento de horários.
Os próximos meses vão mostrar se a queda se confirma nos boletins de ocorrência da Asa Norte. A 2ª DP não informou se a investigação segue em busca de outros integrantes do grupo ou de receptadores que compravam o material furtado.
O que o comerciante pode fazer
- Manter as câmeras com gravação em nuvem, não apenas em gravador local, que costuma ser levado no próprio furto;
- Registrar ocorrência sempre, mesmo em prejuízo pequeno, porque a repetição de registros na mesma área é o que dispara a investigação;
- Guardar notas fiscais dos equipamentos, o que agiliza a devolução caso o material seja recuperado;
- Acionar o 197, central de denúncias da PCDF, ao notar movimentação suspeita nas quadras comerciais durante a madrugada;
- Em flagrante, ligar para o 190.
O DistritoNews acompanha a atuação da Polícia Civil nas regiões administrativas. Nesta semana, a corporação investigou também a invasão ao sistema de um banco no DF com pedido de resgate em bitcoin.