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Vítima de 36 facadas em hotel de Taguatinga trabalhava no Senado

Walas Fidelis da Silva, de 52 anos, era técnico terceirizado de conservação e restauro do acervo da Casa

O homem encontrado morto com 36 golpes de faca em um quarto do Caribe Palace Hotel, em Taguatinga, no domingo (9/8), era técnico terceirizado de conservação e restauro do Senado Federal. Walas Fidelis da Silva tinha 52 anos e atuava na preservação e na restauração de documentos históricos do acervo da Casa.

O trabalho era prestado à Secretaria de Gestão da Informação e Documentação do Senado, área responsável por guardar e recuperar documentos, obras raras e peças do acervo. Ele não era servidor: mantinha vínculo com empresa contratada para o serviço.

O que a polícia apurou

Segundo a investigação, a vítima e o suspeito chegaram juntos ao hotel por volta de 1h de domingo. O corpo foi encontrado no quarto. Após o crime, o suspeito deixou o local pulando o muro dos fundos do hotel.

Ele foi localizado e preso na segunda-feira (10/8), no centro de Ceilândia. O caso é apurado pela 17ª Delegacia de Polícia, de Taguatinga.

Em depoimento, o suspeito apresentou a versão de que teria acordado com a vítima sobre o seu corpo e reagido com golpes de faca, conforme relatou o delegado adjunto Thiago Boeing. A versão é a do investigado e ainda será confrontada com a perícia e com as demais provas reunidas no inquérito.

As informações divulgadas pela polícia até agora não confirmam nem afastam essa versão. Cabe ao inquérito estabelecer a dinâmica dos fatos e ao Ministério Público decidir sobre a denúncia. O suspeito responde na condição de investigado, sem condenação.

Alegação de legítima defesa não encerra a apuração. O Código Penal exige, para reconhecê-la, que a reação seja imediata a uma agressão injusta e proporcional a ela, com uso moderado dos meios disponíveis. Quem decide se esses requisitos foram atendidos é a Justiça, depois de a perícia e as oitivas reconstituírem o que ocorreu no quarto.

O acervo que a vítima ajudava a preservar

O Senado mantém um acervo documental que reúne originais de proposições, registros de sessões, obras raras e peças de arte espalhadas pelos prédios do Congresso. A conservação desse material é feita por equipes técnicas que trabalham com restauro de papel, encadernação e controle de temperatura e umidade dos depósitos.

Boa parte desse serviço, no Congresso e nos demais órgãos federais em Brasília, é executada por profissionais contratados por empresas terceirizadas, com vínculo com a prestadora e não com o órgão público.

Casos de homicídio dentro de hotéis do Distrito Federal são apurados pela delegacia da circunscrição, com apoio do Instituto de Criminalística. As imagens de câmeras internas costumam ser um dos primeiros itens requisitados, por permitirem confirmar horários de entrada, saída e circulação nos corredores.

No caso da 17ª DP, a apuração passa também pelo registro de hospedagem, que identifica quem alugou o quarto, e pelo laudo cadavérico do Instituto de Medicina Legal, responsável por descrever as lesões e a causa da morte. Esses dois documentos costumam ser decisivos para confrontar a versão apresentada em depoimento.

Denúncias e informações sobre crimes no Distrito Federal podem ser repassadas de forma anônima à Polícia Civil pelo telefone 197.

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