Expedição brasileira mapeia fossa de 4.500 metros no Atlântico Sul
Projeto The Gap investiga a Zona de Fratura Romanche, faixa de mil quilômetros entre o Nordeste brasileiro e a costa da África, com robô submarino e sonda acústica
Uma expedição científica liderada por pesquisadores brasileiros começou a mapear a Zona de Fratura Romanche, uma depressão submarina de cerca de mil quilômetros de extensão entre a costa do Nordeste do Brasil e o oeste do continente africano. A campanha, batizada de The Gap, foi divulgada pela Agência Brasil nesta sexta-feira, 18.
O trabalho é feito a bordo do navio de pesquisa Falkor (too), do Schmidt Ocean Institute, e alcança profundidades de até 4.500 metros. O desembarque está previsto para 26 de outubro, em Gana.
Quem está a bordo
A liderança científica é da Universidade do Vale do Itajaí, a Univali, com participação da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade Federal do Espírito Santo e do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas. O patrocínio é do Schmidt Ocean Institute, que opera o navio.
O professor José Angel Perez, da Univali, chefia a expedição. Ele resumiu o objetivo central da campanha à Agência Brasil.
Nosso principal foco é identificar e mapear a relação da ressurgência com as comunidades profundas, além de estudar a dinâmica das correntes e a morfologia dos habitats.
O que a campanha procura
A ressurgência equatorial é o fenômeno que traz água fria e rica em nutrientes das camadas profundas para perto da superfície. É ela que sustenta boa parte da vida marinha na região, e a expedição quer entender como esse mecanismo se conecta às comunidades biológicas que vivem no fundo.
A campanha reúne quatro frentes de trabalho:
- Mapear a morfologia da Zona de Fratura Romanche, ainda pouco conhecida;
- Descrever a relação entre a ressurgência equatorial e a fauna de profundidade;
- Estudar a dinâmica das correntes que atravessam a fratura;
- Avaliar como as mudanças climáticas afetam esses habitats.
Os equipamentos
O principal instrumento é o SuBastian, um veículo operado remotamente que desce até 4.500 metros e transmite imagem em tempo real para o navio. A expedição também usa um submarino autônomo e sonda acústica para o levantamento do relevo submarino.
A Zona de Fratura Romanche é uma das maiores descontinuidades da dorsal mesoatlântica e funciona como uma passagem por onde massas de água profunda circulam entre as bacias do Atlântico. Entender esse corredor importa para modelos de clima e para a compreensão de como o oceano redistribui calor e carbono.