Lula anuncia plano de segurança para o Rio com três eixos de ação
Presidente detalhou nesta sexta-feira (18) a estratégia que combina pressão sobre a logística do crime, reocupação de territórios e treinamento de guardas municipais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou nesta sexta-feira, 18, os três eixos do plano do governo federal contra o crime organizado no Rio de Janeiro. O anúncio foi feito na capital fluminense, no lançamento de uma ação que reúne forças federais, estaduais e municipais.
Os eixos são a asfixia da logística e da mobilidade do crime, a reocupação dos territórios dominados por facções e o fortalecimento da capacidade dos municípios para atuar em segurança pública. A formulação foi apresentada pelo presidente também em entrevista à Super Rádio Tupi, na mesma manhã.
O que prevê cada eixo
- Logística do crime: pressão nas divisas estaduais e policiamento nas vias principais de acesso, com menção à Avenida Brasil, às linhas Vermelha e Amarela, à área portuária e ao Aeroporto do Galeão;
- Reocupação territorial: uso de inteligência artificial, inteligência financeira, suporte tático e ações sobre os mercados controlados pelo crime organizado;
- Capacitação municipal: treinamento federal para as guardas municipais, com a Polícia Rodoviária Federal responsável pela formação de 386 novos integrantes da Guarda Municipal do Rio.
Segundo o Poder360, Lula citou ainda um investimento conjunto com os estados de R$ 10 bilhões para transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima. O valor e o número de unidades foram divulgados pelo presidente durante o evento e não constavam, até a publicação, de decreto ou portaria publicada.
O argumento sobre a presença permanente
Lula defendeu que a ocupação das áreas dominadas por facções precisa ser contínua, e não pontual. Ao tratar do histórico de operações no Rio, afirmou: "Quando saía, a bandidagem voltava", e disse que a presença precisa se dar "durante 365 dias por ano". Sobre o eixo de logística, o presidente o classificou como "a parte mais desafiadora", ao descrever a extorsão praticada sobre serviços básicos, incluindo a cobrança de "pedágio por pegar gás".
O presidente afirmou que o modelo, se funcionar no Rio, "vai dar certo em todo o território nacional".
O papel dos municípios
O terceiro eixo é o que mais muda em relação a programas anteriores. A proposta é que a prefeitura deixe de ser coadjuvante e passe a integrar o desenho operacional, com guardas municipais treinadas pelo governo federal em inteligência e em atuação policial. O primeiro lote é o de 386 agentes da Guarda Municipal do Rio, formados pela PRF.
O anúncio ocorre em meio ao debate sobre a divisão de responsabilidades entre União, estados e municípios na segurança pública, tema que também está no centro da disputa eleitoral deste ano.
A troca com Trump
No mesmo dia, Lula respondeu a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o enfrentamento brasileiro às facções. A resposta foi dada ao falar sobre a retomada de territórios no Rio, conforme registrou a Agência Brasil. O governo americano havia citado o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho em documento sobre política antidrogas.