Incêndio atinge vegetação em Águas Claras ao lado da linha do metrô
Fogo avançou sob linha de transmissão no sábado; Neoenergia diz que linhão de Furnas não foi afetado e metrô operou normalmente
Um incêndio de grandes proporções atingiu uma área de vegetação em Águas Claras na manhã do sábado (15), em faixa localizada abaixo de uma linha de transmissão e ao lado da via do metrô. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal enviou equipes ao local para conter o avanço das chamas.
A fumaça foi vista de vários pontos da região administrativa e de quadras vizinhas, em Vicente Pires e no Guará. Águas Claras concentra prédios altos coladas em faixas de cerrado remanescente, o que faz com que qualquer foco na área verde apareça imediatamente da janela dos apartamentos.
Metrô e linha de transmissão
A proximidade com a estrutura de energia e com a linha do metrô foi o ponto de atenção da ocorrência. A Neoenergia confirmou que a linha de transmissão de Furnas não foi afetada pelo fogo. O metrô seguiu com operação normal, sem interrupção de viagens nem alteração de intervalo entre as composições.
Incêndio em vegetação sob linhão preocupa porque a fumaça densa e o calor podem provocar descarga elétrica entre os cabos e o solo, com risco de desligamento automático do trecho. Por isso as concessionárias mantêm faixa de servidão limpa embaixo das torres, com corte periódico da vegetação.
O sábado com 59 focos
A ocorrência de Águas Claras entrou em um dos dias mais movimentados do ano para os bombeiros. Só no sábado, o CBMDF registrou 59 incêndios em vegetação no Distrito Federal. Nos dez primeiros dias de agosto, a corporação já havia contabilizado 605 ocorrências do tipo.
No acumulado do ano, o número chegou a 2.844 incêndios em vegetação até 10 de agosto. Julho, sozinho, respondeu por 1.096. Em 2025, o total do ano fechou em 6.488 ocorrências, e agosto foi o mês mais crítico, com 1.826 registros.
O padrão se repete a cada estiagem: umidade relativa do ar despencando à tarde, vento forte no fim do dia e material seco acumulado no chão. O Instituto Nacional de Meteorologia mantém aviso laranja de perigo por baixa umidade sobre o DF, faixa em que o instituto aponta risco de incêndio florestal e de problemas respiratórios.
Para atravessar o período, o CBMDF mantém a Operação Verde Vivo, que reserva de 170 a 200 bombeiros por dia exclusivamente para o combate a incêndios florestais, com 12 postos avançados distribuídos pelas regiões administrativas e até 35 viaturas dedicadas ao trabalho em vegetação. Na prática, é uma estrutura montada para atender ocorrências simultâneas, situação que se tornou rotina em agosto.
Na última quinzena, o fogo atingiu a reserva ecológica do Guará, com evacuação do Cepi Lobo Guará em 6 de agosto, alcançou o campus da UnB em Ceilândia, que suspendeu aulas por causa da fumaça, e chegou à reserva do Zoológico de Brasília, onde houve apoio aéreo.
O que fazer ao ver fogo em área de vegetação
- Ligar imediatamente para o 193 e informar ponto de referência preciso
- Dizer se há casa, poste, linha de transmissão ou depósito de combustível perto
- Não tentar apagar fogo em capim alto sozinho: a chama muda de direção com o vento
- Fechar janelas se a fumaça alcançar o prédio e evitar exercício ao ar livre
- Denunciar queima de lixo e de entulho ao Ibram pelo 162
Provocar incêndio em mata é crime previsto no artigo 41 da Lei 9.605/1998, com pena de dois a quatro anos de reclusão e multa. A maior parte dos focos urbanos no DF tem origem humana, segundo levantamentos do próprio corpo de bombeiros: queima de resto de poda, bituca de cigarro e balão.
As informações divulgadas até a publicação não especificam a área total queimada em Águas Claras nem o tempo total de combate no local.
Leia também: incêndio na reserva do Zoológico de Brasília.