Cidades

PCDF investiga morte de grávida de 41 semanas no Hospital de Samambaia

Maria Graciane Andrade Alves, de 36 anos, morreu no dia 10 após complicações no parto; família denuncia negligência e bebê segue em estado grave na UTI neonatal

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga a morte de Maria Graciane Andrade Alves, de 36 anos, grávida de 41 semanas, no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Ela morreu na sexta-feira (10), após complicações no parto.

A filha de Maria Graciane sobreviveu, mas segue internada em estado grave na UTI neonatal. O caso foi registrado na 26ª Delegacia de Polícia, em Samambaia, e deve ser encaminhado a uma delegacia especializada.

O que a família denuncia

Segundo os familiares, Maria Graciane avisou à equipe médica que não teria condições de passar pelo parto normal, e a informação foi ignorada. A equipe teria mantido a tentativa de parto normal por horas.

Ainda de acordo com o relato da família, a cesariana só foi realizada depois que o bebê apresentou sinais de sofrimento fetal. No procedimento, a paciente sofreu hemorragia grave, precisou passar por cirurgia de retirada do útero e teve paradas cardiorrespiratórias. Ela não resistiu e morreu na UTI.

Os parentes suspeitam de falha no atendimento e negligência. A suspeita é objeto da investigação policial e não há, até o momento, conclusão sobre a causa da morte.

O que dizem a PCDF e a SES-DF

A Polícia Civil informou que o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exame pericial, que deverá esclarecer as circunstâncias do óbito.

A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) afirmou que o caso está em apuração.

"Caso sejam constatadas falhas na assistência ou qualquer indício de negligência, todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis serão adotadas, com a devida responsabilização dos envolvidos", informou a pasta.

Gestação de 41 semanas

A gestação de Maria Graciane já havia passado do termo completo, que vai de 39 a 40 semanas. A partir da 41ª semana, protocolos obstétricos recomendam avaliação constante da condição do bebê e da mãe para a decisão entre indução, parto normal ou cesariana.

A definição sobre a via de parto cabe à equipe médica, considerando o quadro clínico e o histórico da paciente. O que a perícia e a investigação vão apurar é se os sinais apresentados durante o trabalho de parto foram avaliados de forma adequada e em tempo hábil.

O resultado do laudo do IML deve orientar os próximos passos do inquérito, incluindo a oitiva dos profissionais que participaram do atendimento.

Como registrar reclamação sobre atendimento na rede pública

Usuários da rede pública de saúde do DF podem registrar reclamações e denúncias sobre atendimento pela Ouvidoria do GDF, no telefone 162, ou nos canais digitais do governo local. O registro formal ajuda a documentar falhas e abre processo de apuração administrativa, que corre em paralelo à investigação policial.

Não é a primeira apuração recente envolvendo morte em hospital público do DF. O IgesDF também abriu apuração sobre uma morte no Hospital de Base, caso que teve repercussão e cobrança de rigor do governo local.

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