Pirarucu é avistado em lago do Parque Nacional de Brasília
Presença do maior peixe de água doce da América do Sul levanta debate sobre equilíbrio ecológico no DF.
Um exemplar de pirarucu (Arapaima gigas), o maior peixe de água doce da América do Sul, foi avistado nas águas do lago da área de lazer do Parque Nacional de Brasília. A aparição inusitada chamou atenção de banhistas e gerou alerta entre biólogos e gestores ambientais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela unidade de conservação.
O animal, que pode atingir até três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos na fase adulta, não é nativo das bacias hidrográficas do Cerrado. A espécie é originária da bacia amazônica e sua presença no Distrito Federal levanta a hipótese de introdução por ação humana — prática ilegal que configura crime ambiental previsto na Lei 9.605/98. Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) foram acionados para avaliar o caso.
O impacto ecológico da presença de uma espécie exótica de grande porte em um ambiente lacustre do Cerrado pode ser significativo. O pirarucu é um predador de topo de cadeia alimentar e se alimenta de peixes menores, anfíbios e até pequenas aves aquáticas. Sua introdução pode desequilibrar a ictiofauna local, composta por espécies endêmicas já pressionadas pela degradação ambiental.
O ICMBio informou que uma equipe de monitoramento foi destacada para a área e que armadilhas de captura estão sendo instaladas para retirar o animal sem causar danos à fauna nativa. "A captura será feita com o máximo cuidado. Após a retirada, o animal será encaminhado a um centro de triagem para avaliação veterinária", afirmou nota do instituto.
O episódio acende um alerta sobre a soltura irregular de animais em unidades de conservação do DF. Técnicos ambientais ressaltam que a prática, muitas vezes motivada por proprietários que não conseguem mais manter o animal em cativeiro, representa grave ameaça à biodiversidade do Cerrado. Denúncias sobre introdução de espécies exóticas podem ser feitas pelo número 0800 618 080 do ICMBio, de forma anônima e gratuita.