Filme sobre Honestino Guimarães entra em cartaz em Brasília
Docudrama de Aurélio Michiles com Bruno Gagliasso reconstitui a trajetória do líder estudantil da UnB desaparecido na ditadura
O longa-metragem Honestino entrou em cartaz nesta quinta-feira (13) em duas salas de Brasília e fica em exibição até 19 de agosto. Dirigido por Aurélio Michiles, o filme reconstitui a trajetória de Honestino Guimarães, estudante de geologia da Universidade de Brasília, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes e desaparecido político da ditadura militar.
A produção mistura documentário e ficção. Bruno Gagliasso interpreta Honestino em cenas encenadas que se alternam com imagens de arquivo, cartas, poemas e depoimentos de contemporâneos do líder estudantil, entre eles Almino Afonso, Jorge Bodanzky, Franklin Martins e a biógrafa Betty Almeida.
Onde assistir em Brasília
O filme está em duas salas da cidade:
- Cine Cultura Liberty Mall, no Setor Comercial Norte, de 13 a 19 de agosto, nos horários de 14h20, 16h20, 18h30 e 20h20. Ingressos a R$ 36,48 a inteira e R$ 20,48 a meia.
- Cinesystem Brasília, no Shopping Casa Park, a partir de 13 de agosto, às 13h30 e às 19h30. Ingressos a R$ 63,83 a inteira e R$ 35,83 a meia.
A meia-entrada vale para estudantes, professores da rede pública, pessoas com deficiência, jovens de baixa renda e maiores de 60 anos, mediante comprovação na bilheteria.
A história que começou na UnB
Honestino Monteiro Guimarães nasceu em Itaberaí, em Goiás, em 28 de março de 1947, e mudou-se com a família para Brasília em 1960. Passou no vestibular de geologia da UnB, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília e, em 1971, assumiu a presidência da UNE, então na clandestinidade.
Preso pela primeira vez em agosto de 1968, junto com outros sete líderes estudantis, passou cinco anos na clandestinidade. Em 10 de outubro de 1973 foi preso pelo Cenimar, o serviço de informações da Marinha, aos 26 anos. Desde então nunca mais foi visto, e o corpo jamais foi encontrado.
O nome dele está em pontos da capital que o brasiliense usa sem pensar na origem: a ponte que liga o Lago Sul ao Plano Piloto e o Museu Nacional Honestino Guimarães, na Esplanada dos Ministérios.
Como o diretor tratou o personagem
Michiles disse que buscou fugir da imagem estática que costuma acompanhar personagens desaparecidos na ditadura. "Nosso propósito é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo", afirmou o diretor.
"Tomara que a história do Honestino possa provocar essa mesma emoção, injetando novamente autoestima", disse Aurélio Michiles.
O longa foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e para o DH Fest, festival de cultura de direitos humanos, e recebeu o Troféu Redentor de melhor montagem no Festival do Rio.
A escolha de encenar cenas com ator em vez de sustentar o filme só em material de arquivo responde a uma limitação concreta: sobrou pouco registro audiovisual de Honestino. A vida pública dele durou poucos anos e a maior parte transcorreu na clandestinidade, quando aparecer diante de uma câmera era risco de prisão. O que restou são fotografias, cartas e a memória de quem conviveu com ele.
Por que a estreia pesa em Brasília
A exibição na capital tem peso diferente do restante do circuito. A UnB, onde Honestino estudou e se elegeu líder estudantil, foi invadida pelas forças de segurança em 1968 e voltou a ser cercada em episódios posteriores da repressão. Parte do público que assiste ao filme na cidade conviveu com esses fatos ou os herdou como história de família.
A estreia em Brasília acontece em meio à disputa sobre o financiamento do audiovisual local. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, principal janela da produção nacional na capital, tem edição prevista para setembro.