Grande Otelo divide melhor filme entre O Agente Secreto e Manas
Cerimônia da 25ª edição do prêmio da Academia Brasileira de Cinema reuniu o setor no Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Os filmes O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Manas, de Marianna Brennand, dividiram o prêmio de melhor longa-metragem de ficção na cerimônia do Prêmio Grande Otelo realizada na quarta-feira (4), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A edição marcou os 25 anos da premiação concedida pela Academia Brasileira de Cinema.
O empate na principal categoria é raro na história do prêmio, conhecido no meio como o Oscar do cinema brasileiro. Os dois títulos chegaram à noite como favoritos e representam recortes distintos da produção nacional recente: o longa de Kleber Mendonça Filho reconstrói o clima de vigilância do Recife dos anos 1970, enquanto o de Marianna Brennand trata da violência doméstica em comunidade ribeirinha da ilha do Marajó.
Os vencedores da noite
A maior colheita individual ficou com Homem com H, cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho, que levou seis estatuetas, incluindo o prêmio do público. Jesuíta Barbosa, que interpreta o cantor, foi escolhido melhor ator.
Denise Weinberg venceu como melhor atriz por O Último Azul. Manas somou cinco prêmios:
- direção, para Marianna Brennand;
- roteiro original;
- atriz coadjuvante, para Dira Paes;
- montagem de ficção;
- melhor longa-metragem de ficção, dividido com O Agente Secreto.
Na categoria de documentário, o troféu foi para Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, que investiga a relação entre política e religião no Brasil recente.
A distribuição das estatuetas confirma um cenário de produção fragmentada, sem um título dominante. Quatro filmes diferentes levaram os prêmios de maior visibilidade da noite: melhor longa de ficção, direção, ator e atriz ficaram divididos entre O Agente Secreto, Manas, Homem com H e O Último Azul.
O que o resultado indica
Roteirista de Manas ao lado de outros profissionais e presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino comentou o prêmio de roteiro original recebido pela equipe do filme.
"Receber o prêmio Grande Otelo de Melhor Roteiro Original, junto com os meus colegas, é uma grande honra", afirmou.
A premiação da Academia Brasileira de Cinema é decidida por voto dos associados, que reúnem profissionais das diferentes áreas técnicas e artísticas do setor. O resultado costuma antecipar quais produções nacionais terão maior circulação em festivais e em campanhas internacionais no segundo semestre.
Criada em 2002, a premiação passou a se chamar Grande Otelo em homenagem ao ator Sebastião Bernardes de Souza Prata, o Grande Otelo, morto em 1993. O troféu é o principal reconhecimento concedido pelo próprio setor no país, ao lado dos prêmios de festivais como o de Gramado e o de Brasília.
Vinte e cinco edições depois, o formato segue o mesmo: os associados indicam os concorrentes em cada categoria e, em segunda etapa, votam nos vencedores. O prêmio do público, que ficou com Homem com H, é a única categoria decidida fora desse colégio.
Para o público de Brasília, os títulos premiados seguem em cartaz no circuito comercial e em salas de cinema de rua da cidade, além das sessões promovidas por equipamentos culturais que exibem produção nacional ao longo do ano.
Em outra frente do setor audiovisual, o Congresso analisa propostas que afetam a produção e a distribuição de conteúdo no país, incluindo regras de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital, tema que também mobiliza campanhas institucionais neste ano eleitoral.