Arrecadação federal soma R$ 1,587 trilhão e é recorde no semestre
Receita Federal atribui alta real de 6,63% ao crescimento da massa salarial, ao avanço das importações e ao desempenho do IOF
A arrecadação de tributos federais somou R$ 1,587 trilhão de janeiro a junho de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30) pela Receita Federal. O valor representa alta real de 6,63% na comparação com o mesmo período de 2025 e é o maior resultado para o primeiro semestre desde 2000.
Só em junho, a arrecadação chegou a R$ 264,4 bilhões, com crescimento real de 7,7% ante junho do ano passado. O órgão atribui o desempenho ao comportamento da atividade econômica, ao aumento da massa salarial e ao avanço das importações.
Quais tributos puxaram a alta
A receita previdenciária foi a maior fonte isolada no semestre, com R$ 381,092 bilhões e crescimento real de 5,08%. O Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas somado à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido totalizou R$ 313,014 bilhões, com alta real de 5,73%.
PIS/Pasep e Cofins renderam R$ 309,628 bilhões, avanço real de 4,45%. O maior salto proporcional veio do Imposto sobre Operações Financeiras, que somou R$ 50,305 bilhões e cresceu 30,40% em termos reais.
- Receita previdenciária: R$ 381,092 bilhões (+5,08% real)
- IRPJ e CSLL: R$ 313,014 bilhões (+5,73% real)
- PIS/Pasep e Cofins: R$ 309,628 bilhões (+4,45% real)
- IOF: R$ 50,305 bilhões (+30,40% real)
- Total até junho: R$ 1,587 trilhão (+6,63% real)
O que a Receita aponta como causa
Nas explicações do órgão sobre o resultado, aparecem o crescimento real de 3,27% da massa salarial e a alta de 5,46% na arrecadação do Simples Nacional previdenciário. Setores como automotivo, eletricidade, gás e serviços financeiros também aparecem com expansão no período.
Do outro lado da conta, as compensações tributárias subiram 16,85%, movimento que reduz o valor efetivamente recolhido aos cofres públicos. É o desconto que empresas aplicam usando créditos de tributos pagos a mais em períodos anteriores.
Por que o número interessa a quem mora no DF
O resultado da arrecadação é o principal insumo do debate orçamentário que volta ao Congresso na próxima semana, com sede em Brasília. É esse número que baliza a discussão sobre meta fiscal, bloqueio de despesas e liberação de recursos para programas federais executados no Distrito Federal.
O recorde de arrecadação convive com déficit primário. O governo central fechou junho com resultado negativo de R$ 48,178 bilhões, segundo o Tesouro Nacional, o que mostra que o crescimento da receita não acompanhou o ritmo das despesas no período.
Recorde de receita e conta pública no vermelho
O resultado da Receita Federal mede apenas o que entra. O quadro fiscal completo aparece no relatório do Tesouro Nacional, que apura receitas e despesas do governo central e mostra déficit primário de R$ 92,227 bilhões no acumulado do ano até junho.
Em doze meses, o déficit chega a R$ 144,1 bilhões, o equivalente a 1,08% do Produto Interno Bruto. A combinação de arrecadação recorde com resultado primário negativo indica que o crescimento das despesas obrigatórias superou o da receita no período.
O peso do IOF no resultado
O avanço de 30,40% do Imposto sobre Operações Financeiras foi o maior entre os tributos relevantes do semestre. O IOF incide sobre crédito, câmbio, seguros e operações com títulos, e responde rápido a mudanças de alíquota e ao volume de empréstimos tomados por empresas e famílias.
Já a receita previdenciária depende diretamente do mercado de trabalho formal, o que a torna o item mais estável da arrecadação. Seu crescimento real de 5,08% acompanha o avanço de 3,27% da massa salarial apurado no mesmo intervalo, indicador que também aparece nos dados de emprego divulgados pelo IBGE nesta semana.
A arrecadação de julho, primeiro mês do segundo semestre, será divulgada pela Receita em agosto e serve de referência para o relatório bimestral de receitas e despesas, documento que define eventuais bloqueios no Orçamento.
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