BRB rompe negociação de R$ 15 bilhões com a Quadra Capital
Banco público do DF encerra acordo de venda de ativos herdados do Master; Tesouro do DF substitui a liquidez e Banco Central cobra plano de capital até 5 de agosto
O Banco de Brasília (BRB) rompeu na sexta-feira (17) a negociação com a Quadra Capital que previa a venda de até R$ 15 bilhões em ativos herdados do Banco Master. O banco público controlado pelo GDF vai administrar sozinho a carteira que iria para o fundo da gestora.
O acordo havia sido anunciado em abril como a maior peça da limpeza de balanço do BRB. Em nota, o banco classificou o encerramento como consensual e citou desacordo sobre as condições financeiras da operação.
Houve "divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação", informou o BRB em comunicado.
Por que o negócio desandou
O desenho previa que a Quadra Capital, gestora de São Paulo fundada em 2016, montaria um fundo de direitos creditórios para absorver os ativos ligados ao Banco Master. A estrutura funcionaria assim:
- até R$ 15 bilhões em ativos sairiam do balanço do BRB para o fundo;
- a entrada seria um pagamento à vista de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões;
- o restante viraria cotas subordinadas, transformadas em dinheiro conforme os créditos fossem recuperados.
Segundo o Correio Braziliense, o rompimento veio depois que o aporte inicial de R$ 4 bilhões, esperado para o fim de junho, não foi pago. O Jornal de Brasília relata que o BRB seria o maior cotista do fundo, que reunia mais de 100 investidores comprometidos.
O que isso significa para o DF
O BRB é o banco público do Distrito Federal, e a saúde do seu balanço interessa diretamente ao caixa do GDF e aos milhares de correntistas e servidores locais que dependem da instituição. A Secretaria de Economia se antecipou: ao Correio Braziliense, o secretário da pasta afirmou que o Tesouro do DF já substituiu a liquidez que viria da Quadra e que o fim do acordo não fragiliza o banco agora.
Outra frente de reforço segue de pé. O Fundo Garantidor de Créditos deve liberar R$ 6,6 bilhões em empréstimo até o fim de julho, dinheiro que engorda o caixa durante a reestruturação. Antes disso, o STF já havia homologado acordo de até R$ 6,5 bilhões envolvendo o banco.
Prazo do Banco Central na mesa
De acordo com o Jornal de Brasília, o Banco Central exige que o BRB implemente medidas de recomposição de capital até 5 de agosto. O rompimento com a Quadra coloca essa tarefa inteiramente nas mãos do próprio banco, que promete conduzir "diretamente a gestão e o reposicionamento desses ativos no mercado".
Para o cliente, nada muda no dia a dia de contas e serviços. A dúvida que fica para as próximas semanas é de gestão: se o banco conseguirá recuperar valor da carteira do Master por conta própria e entregar o plano de capital dentro do prazo do regulador.