Economia

BRB: R$ 6,6 bilhões do FGC devem ser liberados até o fim de julho

Reunião entre Celina Leão e Gabriel Galípolo no Banco Central ajusta os detalhes finais da operação costurada no STF

Os R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) que vão capitalizar o BRB devem ser liberados até o fim de julho, após reunião entre a governadora Celina Leão e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na tarde desta terça-feira (14), em Brasília.

Participaram do encontro o presidente do BRB, Nelson de Souza, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, e três nomes do primeiro escalão técnico do BC: Ailton de Aquino Santos (Fiscalização), Gilneu Vivan (Regulação) e Cristiano Cozer (procurador-geral).

A reunião tratou dos ajustes técnicos finais da operação, costurada em conciliação no Supremo Tribunal Federal. Em junho, o STF homologou o acordo, na época estimado em até R$ 6,5 bilhões. O valor de referência da operação passou a R$ 6,6 bilhões nas etapas seguintes, com aval da Câmara Legislativa.

Burocracia final e consórcio de bancos

Antes do encontro com Galípolo, a governadora disse a jornalistas que restam formalidades documentais.

"Esses documentos vão e voltam. Na sexta-feira aconteceu uma grande reunião com todos os envolvidos. Estamos terminando todas as questões burocráticas", afirmou Celina Leão, segundo o Correio Braziliense.

O desenho da operação tem duas pontas. De um lado, o FGC, fundo privado mantido pelos próprios bancos, que faz o aporte principal. De outro, um consórcio de instituições privadas liderado pelo Banco do Brasil, que ainda define a participação de cada banco, de acordo com o Correio Braziliense.

O BRB já entregou ao Banco Central o plano de negócios de 2026 a 2035 e, segundo o site Política Distrital, conclui os procedimentos para divulgar seus balanços. Ao fim da reunião de terça, nenhum participante falou com a imprensa.

O que está em jogo para o DF

O banco público do DF cuida da folha de servidores do GDF, de crédito imobiliário e consignado local e de contratos que alcançam do Mané Garrincha ao comércio das cidades. A capitalização recompõe o caixa após as perdas bilionárias com a compra de carteiras de crédito do Banco Master, caso que derrubou a antiga diretoria e levou à prisão do ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa.

O FGC, que banca o aporte principal, é o mesmo fundo que garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF quando um banco quebra. Aqui a lógica se inverte: o fundo antecipa recursos justamente para evitar a quebra e a conta bem maior que viria depois. Para o correntista do BRB, nada muda no dia a dia; a operação serve para garantir que continue assim.

Os marcos da operação até aqui:

  • Maio: conciliação aberta no STF para viabilizar o socorro;
  • 2 de junho: homologação do acordo pelo Supremo;
  • 16 de junho: CLDF autoriza a operação de até R$ 6,6 bilhões;
  • 14 de julho: reunião no BC fecha os ajustes técnicos;
  • Até 31 de julho: previsão de liberação dos recursos.

Com o dinheiro em caixa, o banco ganha fôlego para manter as operações no DF e cumprir o plano de dez anos que o Banco Central vai acompanhar. Os próximos capítulos são a assinatura dos contratos, a liberação do aporte e a publicação dos balanços do BRB, que devem sair na sequência.

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