Dólar fecha julho em queda de 1,82% e acumula recuo de 7,73% no ano
Moeda americana encerrou o mês cotada a R$ 5,069, com alta de 0,13% no último pregão; Ibovespa subiu 3,47% em julho
O dólar encerrou julho de 2026 cotado a R$ 5,069, com alta de 0,13% no último pregão do mês, na sexta-feira (31/7). No acumulado de julho, a moeda americana caiu 1,82%, e no ano a queda chega a 7,73%.
O mês foi favorável ao real por uma combinação de fatores externos e internos. A valorização do petróleo pesou a favor do Brasil, que é exportador da commodity: o Brent subiu 23,5% em julho e fechou a US$ 87,93, enquanto o WTI avançou 21,8% e terminou a US$ 84,67.
O fluxo de investimento estrangeiro para o país e o patamar elevado dos juros brasileiros completam o quadro. A taxa alta continua atraindo operações de carry trade, em que o investidor toma recurso em moeda de juro baixo para aplicar em ativos de juro alto.
Bolsa fecha o mês perto dos 178 mil pontos
O Ibovespa terminou julho aos 177.999 pontos, com alta de 0,47% no pregão de sexta-feira. No mês, o principal índice da bolsa brasileira subiu 3,47%, e no ano acumula valorização de 10,47%.
O movimento de fim de mês foi contido pela tensão no Oriente Médio, que reforçou a busca por ativos considerados seguros, e pela alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que encarece o custo de captação para países emergentes.
- Dólar: R$ 5,069 no fechamento de 31 de julho, alta de 0,13% no dia.
- No mês: queda de 1,82%.
- No ano: queda de 7,73%.
- Ibovespa: 177.999 pontos, alta de 3,47% em julho e de 10,47% no ano.
- Petróleo: Brent a US$ 87,93 (+23,5% no mês) e WTI a US$ 84,67 (+21,8%).
Dois freios vieram de fora
A última semana de julho trouxe ruído externo. A tensão no Oriente Médio, alimentada por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o conflito com o Irã, aumentou a procura por ativos considerados seguros. Nesse ambiente, o investidor tende a reduzir posição em moeda de país emergente.
O segundo freio veio dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Quando o juro pago pelos papéis dos Estados Unidos sobe, a diferença em relação ao juro brasileiro diminui e o carry trade perde atratividade. Foi o que limitou a queda do dólar no fim do mês, apesar do saldo mensal negativo para a moeda.
O que o câmbio muda no bolso do brasiliense
Dólar em queda alivia a conta de quem viaja ao exterior, compra em site internacional ou paga assinatura cobrada em moeda estrangeira. O efeito sobre preços domésticos é mais lento e chega por itens com componente importado, como eletrônicos, trigo, fertilizante e parte dos combustíveis.
A ressalva é o petróleo. A alta de mais de 20% do Brent no mês empurra na direção oposta e reduz o ganho que o câmbio mais baixo poderia trazer no posto. O repasse depende da política de preços da Petrobras, que não acompanha a variação diária do mercado internacional.
A agenda de agosto tem a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, encontro que define o rumo da Selic e costuma mexer com o câmbio. Quem investe pelo Tesouro Direto precisa ficar atento a outra data: o aplicativo do programa será desativado em 17 de agosto, e o acesso passa a ser feito pelo Portal do Investidor.
Os dados de fechamento são do Banco Central e da B3, divulgados ao fim do pregão de 31 de julho.