Economia

Estatais federais tem deficit recorde de R$ 7,8 bi no semestre

Resultado do primeiro semestre e o pior desde 2002, inicio da serie do Banco Central, e dobra o rombo registrado no mesmo periodo de 2025

As empresas estatais federais registraram deficit de R$ 7,8 bilhoes no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Banco Central divulgados na sexta-feira (31) no Boletim de Estatisticas Fiscais. E o pior resultado para o periodo desde o inicio da serie historica, em 2002.

O numero mais que supera o recorde anterior, de R$ 3,9 bilhoes negativos no primeiro semestre de 2025. Em um ano, o rombo do setor dobrou.

O indicador mede o resultado primario das estatais federais, ou seja, a diferenca entre receitas e despesas antes do pagamento de juros. Nao entram nessa conta Petrobras e Eletrobras, excluidas da apuracao fiscal por criterio metodologico.

De onde vem a deterioracao

Janeiro concentrou parte relevante do resultado. So no primeiro mes do ano, as estatais federais acumularam deficit de R$ 3,33 bilhoes, quase metade do numero fechado no semestre.

Os Correios aparecem como principal pressao sobre o conjunto. A empresa informou ter encerrado 2025 com prejuizo de R$ 8,5 bilhoes, resultado que se prolonga em 2026 e afeta a apuracao consolidada do setor.

A evolucao recente do indicador:

  • 1o semestre de 2026: deficit de R$ 7,8 bilhoes
  • 1o semestre de 2025: deficit de R$ 3,9 bilhoes
  • Janeiro de 2026: deficit de R$ 3,33 bilhoes
  • Prejuizo dos Correios em 2025: R$ 8,5 bilhoes, informado pela propria empresa
  • Inicio da serie do Banco Central: 2002

Efeito nas contas publicas

O resultado das estatais entra no calculo do setor publico consolidado, que reune Uniao, estados, municipios e empresas estatais. Um deficit maior no grupo pressiona o resultado primario do conjunto e, por consequencia, a trajetoria da divida bruta.

Quando a estatal nao gera caixa suficiente, a conta tende a chegar ao Tesouro por dois caminhos: aporte direto de capital ou renuncia de dividendos que a Uniao receberia como acionista. Nos dois casos, o espaco fiscal do orcamento federal diminui.

Para o contribuinte, o efeito e indireto e chega com atraso. Ele aparece na necessidade de financiamento do governo, que se traduz em emissao de divida e, no medio prazo, em pressao sobre a taxa de juros que o pais paga para se financiar.

O Banco Central divulga o Boletim de Estatisticas Fiscais mensalmente, com defasagem de cerca de um mes em relacao ao periodo apurado. O proximo dado, referente a julho, sai no fim de agosto.

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