Exportações brasileiras à União Europeia crescem 30,7% desde o acordo com o Mercosul, diz governo
Governo diz que as exportações à UE subiram 30,7% de maio a setembro, desde que o acordo com o Mercosul entrou em vigor. Vendas somam US$ 44,17 bi no ano.
As vendas do Brasil à União Europeia cresceram 30,7% entre maio e setembro deste ano, em relação aos mesmos cinco meses de 2025, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O dado foi apresentado nesta terça-feira, 13, em evento em Brasília, e atribui o resultado ao acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu, em vigor provisoriamente desde 1º de maio.
No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou US$ 44,17 bilhões à UE, 20% a mais do que nos nove primeiros meses de 2025. A diferença entre os dois percentuais tem explicação simples: o acordo só valeu a partir de maio, então a alta de 30,7% mede apenas o período com tarifas já reduzidas.
O que disseram os ministros
O chanceler Mauro Vieira afirmou que as exportações brasileiras tiveram alta de 10,4% em 2026 e que, "só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações". Ele acrescentou que o comércio bilateral entre os países do Mercosul e a UE aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a entrada em vigor do tratado.
Elias Rosa disse que o avanço não se restringe ao agronegócio e que o comércio exterior do país cresceu, em média, 10,5%. "É a pungência do setor privado e a capacidade do setor privado de expandir, sobretudo no agro", declarou. Segundo ele, a "missão número um da nova industrialização do Brasil" passa pela agroindústria.
Sobre os Estados Unidos, um dos maiores parceiros comerciais do país, o ministro classificou o momento como "delicado". Disse que o governo mantém o diálogo e que "não sairemos da negociação". O efeito do tarifaço americano sobre as vendas já apareceu nos números: a queda de 18,5% nas exportações aos EUA em agosto foi tema de reportagem do DistritoNews.
Como o acordo chegou até aqui
O tratado levou quase 27 anos para sair do papel. Quando entrou em vigor, em maio, o texto vinha acompanhado de atritos entre os dois lados, que o DistritoNews registrou na época em reportagem sobre a vigência provisória. A aplicação definitiva depende de etapas de ratificação que não foram detalhadas no evento desta terça.
O balanço foi apresentado na cerimônia do Ministério da Agricultura que celebrou a abertura de 700 mercados para produtos agropecuários brasileiros desde 2023. Para o setor agrícola, o ministro André de Paula disse que o país deve fechar o ano como o maior exportador mundial de alimentos, com US$ 169 bilhões embarcados até agora, cerca de US$ 2 bilhões a menos que os Estados Unidos.
Os números de 2026 são do governo federal e não foram confrontados, na cobertura disponível, com dados do Comex Stat, a base oficial do comércio exterior.
Fonte: Agência Brasil, 13 de outubro de 2026.