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Brasil e EUA adiam para a próxima semana a reunião sobre o tarifaço

Encontro entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer foi remarcado por ajustes de agenda; nova data não tem confirmação oficial

A reunião entre representantes do Brasil e dos Estados Unidos sobre o tarifaço, que estava marcada para esta semana, foi adiada para a próxima. A informação foi publicada nesta terça-feira (25) pelo Poder360, que atribuiu o adiamento a ajustes nas agendas das autoridades envolvidas.

A nova data ainda não foi definida. Segundo a publicação, há a possibilidade de o encontro ocorrer na segunda-feira (31). Não houve nota oficial do Itamaraty nem do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) confirmando o novo calendário até a publicação desta reportagem.

Pelo lado brasileiro, a delegação deve ser conduzida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, acompanhado de representantes do Ministério das Relações Exteriores. Pelo lado americano, participam o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e integrantes do Escritório do Representante Comercial (USTR).

O que está em jogo na mesa

A negociação trata da sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Enquanto o encontro não acontece, o governo brasileiro tem respondido por medida provisória, com dois textos publicados no intervalo de poucos dias.

A MP 1.387/2026 abriu crédito extraordinário de R$ 7 bilhões para empresas atingidas pela tarifa. Já a MP 1.386, publicada no Diário Oficial da União desta terça, prorrogou por até um ano os prazos do regime aduaneiro de drawback suspensão para exportadores que não conseguiram cumprir o compromisso de venda ao mercado americano.

As duas medidas atacam o mesmo problema por caminhos diferentes: uma injeta dinheiro, a outra evita que a empresa pague multa e juros por um compromisso de exportação que a tarifa inviabilizou.

Quem senta à mesa pelos dois lados

O USTR é o órgão do Executivo americano responsável por conduzir a política de comércio exterior e negociar acordos. É a mesma estrutura que assina as investigações comerciais e as decisões de sobretaxa, o que faz do representante comercial o interlocutor direto do governo brasileiro no caso.

Do lado brasileiro, a divisão é conhecida: o MDIC responde pela política industrial e de comércio exterior, e o Itamaraty conduz a relação diplomática. Ter os dois na mesma delegação indica que a pauta não se resume à tarifa em si.

A nova data ainda não foi definida, mas existe a possibilidade de o encontro ser na segunda-feira, 31 de agosto.

O que acontece enquanto a reunião não sai

As duas medidas provisórias têm força de lei desde a publicação, mas precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional para continuar valendo. O prazo é de 60 dias, prorrogável por mais 60, e o texto passa antes por comissão mista de deputados e senadores. Se o prazo vencer sem votação, a MP caduca e o Congresso precisa disciplinar por decreto legislativo os efeitos produzidos no período.

Para quem exporta, o adiamento de uma semana pesa de forma diferente conforme o produto. Quem vende bem perecível ou tem contrato com data fechada não consegue segurar carga à espera de definição; quem trabalha com estoque tem mais folga. É essa assimetria que os dois textos publicados tentam cobrir, cada um de um lado.

Também não há informação oficial sobre o formato do encontro, se presencial em Washington ou por videoconferência, nem sobre a pauta detalhada que os dois governos levarão à mesa.

Leia também: MP abre R$ 7 bilhões em crédito para empresas atingidas pelo tarifaço.

As tratativas ocorrem em Brasília e em Washington, e o desfecho interessa diretamente a quem exporta. Sem calendário oficial divulgado, o próximo passo depende de confirmação das duas chancelarias.

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