DF tem o 3º maior salário do país no setor de serviços, aponta IBGE
Média local é de 2,4 salários mínimos, contra 2,2 do país; setor emprega 435,8 mil pessoas no DF
O Distrito Federal tem a terceira maior média salarial do país no setor de serviços, com 2,4 salários mínimos mensais, segundo a Pesquisa Anual de Serviços (PAS) do IBGE referente a 2024, divulgada nesta quinta-feira (27). O setor emprega 435,8 mil pessoas no DF e movimentou R$ 87 bilhões em receita bruta.
A média do DF fica acima da nacional, de 2,2 salários mínimos, e atrás apenas de São Paulo, com 2,7, e do Rio de Janeiro, que também registra 2,4 e aparece à frente na casa decimal. O DF responde por 30,8% da receita bruta de serviços da região Centro-Oeste.
O peso do setor no país
No agregado nacional, a PAS 2024 mapeou 1,9 milhão de empresas de serviços não financeiros, que ocupavam 15,9 milhões de pessoas e pagaram R$ 644,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações no ano. A contribuição do setor ao PIB foi de R$ 2,1 trilhões.
"Os serviços são a principal fonte de valor de PIB para dentro do país. Têm também a sua capacidade de gerar renda, R$ 644 bilhões para as pessoas", afirmou o analista do IBGE Marcelo Miranda.
Onde estão os salários mais altos
O ranking por atividade mostra concentração em transporte e logística pesada. O transporte dutoviário lidera com média de 21,1 salários mínimos, seguido pelo transporte aquaviário, com 6,9, e pelo transporte aéreo, com 6,6.
- Média nacional do setor de serviços: 2,2 salários mínimos
- São Paulo: 2,7 salários mínimos
- Rio de Janeiro: 2,4 salários mínimos
- Distrito Federal: 2,4 salários mínimos, terceira colocação
Por que o DF aparece no topo
A posição tem relação com a composição econômica local. Serviços profissionais, técnicos e de tecnologia da informação, além das atividades ligadas ao setor público e ao ecossistema de fornecedores da administração federal, puxam a média para cima em relação a estados com peso maior de comércio e serviços de baixa remuneração.
O indicador da PAS cobre serviços não financeiros, o que deixa de fora bancos e seguradoras, segmentos com os maiores rendimentos médios do DF. A leitura, portanto, é do setor de serviços propriamente dito, e não do conjunto da economia local.
Os dados dialogam com o debate sobre a base salarial no país, que voltou ao Congresso na discussão da proposta de salário mínimo para 2027.
O que a PAS mede
A Pesquisa Anual de Serviços investiga empresas de serviços não financeiros formalmente constituídas, com apuração de receita, pessoal ocupado, salários e despesas. O recorte exclui bancos, seguradoras e demais atividades financeiras, além do setor público, e por isso não deve ser lido como retrato do mercado de trabalho inteiro de uma unidade da Federação.
O levantamento é a principal referência estrutural do setor no país e alimenta as contas nacionais. Como é anual e depende do fechamento de balanços, publica sempre com defasagem: o retrato divulgado nesta quinta-feira é de 2024.
Os números do DF em uma linha
- Salário médio no setor de serviços: 2,4 salários mínimos mensais
- Posição no país: terceira, atrás de São Paulo e do Rio de Janeiro
- Pessoal ocupado: 435,8 mil trabalhadores
- Receita bruta: R$ 87 bilhões
- Participação no Centro-Oeste: 30,8% da receita bruta de serviços da região
O peso de 30,8% na receita regional mostra concentração: o DF sozinho responde por quase um terço do que o Centro-Oeste fatura em serviços, apesar de ter a menor extensão territorial entre as unidades da região.
A PAS é uma pesquisa anual e o levantamento divulgado agora tem ano-base 2024, o que significa que o retrato antecede em quase dois anos a data de publicação. As tabelas completas por unidade da Federação estão no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra).