PCDF cumpre quatro mandados contra fraudes bancárias no DF e em Goiás
Segunda fase da Operação Dupla Jornada mira endereços em Samambaia e em Formosa
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta quinta-feira (27) a segunda fase da Operação Dupla Jornada, que investiga um grupo suspeito de aplicar fraudes bancárias eletrônicas de forma recorrente. Quatro mandados de busca foram cumpridos em Samambaia, no DF, e em Formosa, em Goiás.
A ação é conduzida pela Divisão de Análise de Crimes Virtuais (DCV), ligada à Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf). As ordens judiciais tiveram como alvo endereços ligados aos investigados.
A prisão que abriu a investigação
O caso começou em abril deste ano, com a prisão em flagrante de uma mulher dentro de uma agência do Banco do Brasil na Asa Sul. Segundo a apuração, ela trabalhava como diarista e conciliava a atividade profissional com a participação no esquema, o que deu nome à operação.
De acordo com a PCDF, a investigada atuava principalmente na abertura de contas em nome de terceiros e na tentativa de contratar operações de crédito de forma fraudulenta. Como pagamento, recebia cerca de 20% do valor obtido em cada operação.
Divisão de tarefas
O avanço das diligências permitiu identificar outros integrantes e mapear uma divisão de funções entre os participantes. A estrutura descrita pela polícia separa quem capta documentos, quem se apresenta nas agências e quem opera a movimentação do dinheiro.
- Operação: Dupla Jornada, segunda fase
- Unidade responsável: Divisão de Análise de Crimes Virtuais (DCV/Corf)
- Mandados: quatro ordens de busca
- Locais: Samambaia (DF) e Formosa (GO)
- Origem: prisão em flagrante em agência bancária na Asa Sul, em abril de 2026
Como o golpe funciona
A abertura de conta em nome de terceiro é o primeiro passo de boa parte das fraudes bancárias eletrônicas. Com a conta ativa, o grupo tenta contratar crédito, transferir valores ou receber dinheiro de outros golpes, sempre deixando o rastro no nome de quem teve o documento usado.
A vítima costuma descobrir o problema apenas quando tenta contratar um serviço e encontra restrição no CPF, ou quando recebe cobrança de um empréstimo que nunca pediu. O registro da ocorrência e a contestação junto à instituição financeira são os dois primeiros passos para desfazer a operação.
A PCDF não informou o prejuízo estimado nem o número de vítimas identificadas até agora. A corporação tem concentrado ações contra crimes patrimoniais eletrônicos, linha que inclui operações contra golpes de venda com pagamento por Pix.
Como saber se abriram conta no seu nome
O Banco Central mantém o Registrato, sistema gratuito que lista todos os relacionamentos bancários e as operações de crédito vinculadas a um CPF. A consulta é feita pelo site ou aplicativo do BC, com login da conta Gov.br, e mostra contas e empréstimos que o titular não reconhece.
Identificada uma conta ou um crédito indevido, o caminho é registrar ocorrência policial, abrir contestação junto à instituição financeira e guardar o número de protocolo. A ocorrência serve de base para a exclusão de restrição no CPF e para eventual ação de reparação.
- Registrato (Banco Central): consulta gratuita de contas e empréstimos no CPF
- Registro de ocorrência: Delegacia Eletrônica da PCDF ou delegacia circunscricional
- Denúncia anônima: 197
- Contestação: canal de atendimento do banco, com protocolo, e ouvidoria em caso de negativa
A abertura de conta em nome de terceiro costuma usar documento perdido, furtado ou obtido em vazamento de dados. Manter o CPF monitorado e não repassar foto de documento por aplicativo de mensagem reduzem a exposição.
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 197 da PCDF, com garantia de anonimato, ou pela Delegacia Eletrônica.