Economia

Petrobras negocia quatro blocos de petróleo em Gana, na costa africana

Estatal teve manifestação de interesse aprovada pelo Ministério de Energia de Gana e entra na fase de negociação direta dos contratos de exploração

A Petrobras informou nesta sexta-feira (21) que entrou na fase de negociação direta dos contratos para explorar quatro blocos marítimos na Bacia de Keta, em Gana, na costa oeste da África. A manifestação de interesse da estatal foi aprovada pelo Ministério de Energia e Transição Verde do país africano.

O aviso foi feito em comunicado ao mercado, o documento que a companhia usa para informar acionistas sobre decisões relevantes. Negociar os termos do contrato não é o mesmo que assinar: nenhuma área foi concedida à empresa até agora, e não há prazo divulgado para o fim das conversas.

Por que Gana entrou no mapa da estatal

A justificativa apresentada pela empresa é geológica. Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, os blocos ganeses guardam semelhança com a Margem Equatorial brasileira, a faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e é hoje a principal aposta exploratória do país.

A lógica é conhecida no setor: África e América do Sul já foram um único bloco continental, e bacias sedimentares dos dois lados do Atlântico compartilham a mesma formação. Se o modelo se confirma na prática, é o que a perfuração dirá.

A movimentação faz parte da estratégia de repor reservas de petróleo e gás em áreas de nova fronteira, dentro e fora do Brasil. Na Margem Equatorial brasileira, a estatal identificou petróleo no poço Morpho, na Foz do Amazonas, a 175 quilômetros do Oiapoque.

O que a Petrobras já tem na África

Gana não seria a estreia da companhia no continente. A empresa mantém participação em projetos exploratórios em outros três países, sempre como sócia e não como operadora:

  • Namíbia: bloco 2613, operado pela TotalEnergies
  • São Tomé e Príncipe: quatro blocos exploratórios, três deles operados pela Shell
  • África do Sul: bloco Deep Western Orange Basin, também com a TotalEnergies na operação

A companhia informou ainda que busca oportunidades na Costa do Marfim. Gana tem cerca de 35 milhões de habitantes.

O peso do pré-sal na conta

Enquanto testa novas fronteiras, a Petrobras segue dependente da produção do Sudeste. O pré-sal responde por mais de 83% da produção própria da empresa. O navio-plataforma Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, na Bacia de Santos, atingiu a capacidade máxima de 180 mil barris de óleo por dia.

É esse patamar que a estatal tenta sustentar nas próximas décadas, já que os campos maduros perdem produção com o tempo. Daí a corrida por áreas ainda não perfuradas, no Brasil e fora dele.

No caso brasileiro, a nova fronteira tem endereço definido. O poço Morpho, onde a companhia identificou petróleo neste mês, fica a 175 quilômetros do Oiapoque e a 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. É a mesma província geológica que a empresa agora diz reconhecer do outro lado do Atlântico, em Gana.

A comparação entre as duas margens não é garantia de óleo. Um bloco exploratório só vira reserva depois de perfuração, teste de formação e declaração de comercialidade, etapas que levam anos e podem terminar em poço seco. Até lá, o que existe é uma autorização para negociar contrato.

Não há informação divulgada sobre valores envolvidos na negociação com Gana, sobre eventuais sócios nos quatro blocos nem sobre quando a exploração poderia começar.

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