Economia

Tarifaço: EUA anunciam terça decisão que pode taxar Brasil em até 37,5%

Investigação da Seção 301 propõe sobretaxa de 25% e apuração sobre trabalho forçado soma mais 12,5%; governo negocia exceções até o anúncio

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) divulga nesta terça-feira (15) o resultado da investigação que pode impor sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, e a soma com uma segunda apuração em curso pode levar a taxação a até 37,5%.

A decisão sai de Washington, mas a resposta brasileira é articulada em Brasília. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), do Itamaraty, do Ministério da Justiça e do Palácio do Planalto mantiveram reuniões com o órgão americano na última semana para tentar ampliar isenções antes do anúncio.

As duas investigações contra o Brasil

A primeira frente é a investigação da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta pelo governo Donald Trump para apurar supostas práticas comerciais desleais. O relatório preliminar, de 1º de junho, recomendou sobretaxa de 25% sobre produtos industriais e de consumo, com exceção de grande parte dos itens agropecuários. O prazo final é 15 de julho.

A segunda frente investiga se o Brasil combate de forma suficiente o trabalho forçado em cadeias produtivas. Ela atinge cerca de 60 países e propõe tarifa adicional de 12,5%, com decisão prevista para 24 de julho, segundo o portal Mais Goiás.

Produtos que aparecem nas duas listas podem pagar as duas alíquotas, chegando aos 37,5%. O Itamaraty reagiu: classificou a apuração sobre trabalho forçado como arbitrária e afirmou que a medida viola regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O que o governo espera

A avaliação reservada no Planalto, segundo o Correio Braziliense, é de que a sobretaxa dificilmente será revogada por completo. O esforço se concentra em exceções por setor e redução de alíquotas.

Na audiência pública do USTR em Washington, 63 dos 78 inscritos se manifestaram contra o tarifaço. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, indicou o foco da reta final:

"O prazo é curto, nós devemos focar naquilo que pode dar resultado positivo."

Por que isso importa para o brasiliense

Levantamento citado pelo Mais Goiás estima que a sobretaxa de 25% alcançaria mais de 4 mil itens e cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações. Os efeitos chegam ao Distrito Federal por três caminhos:

  • Câmbio: tensão comercial pressiona o dólar, que encarece importados, eletrônicos e viagens;
  • Preços: setores taxados, como aço e autopeças, podem repassar custos ao consumidor;
  • Economia local: a negociação mobiliza Itamaraty, MDIC e Planalto, e um desfecho ruim afeta a agenda econômica do governo federal, maior empregador da capital.

Empresas americanas como Tesla, Coca-Cola, Nestlé, Siemens Energy e eBay pediram isenções ao USTR para não perder fornecedores brasileiros, ainda segundo o Mais Goiás.

Tarifaço já derrubou exportações em 2025

O primeiro tarifaço contra o Brasil veio em julho de 2025, quando Trump somou 40% aos 10% já cobrados, elevando a taxa total a 50%. Em novembro, os EUA ampliaram as isenções a produtos brasileiros. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana suspendeu a base legal das tarifas emergenciais, e Trump respondeu com uma taxa global de 10%, em vigor desde o dia 24 daquele mês.

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras aos EUA caíram 6,6%, de acordo com o Mais Goiás. Em junho, o presidente Lula classificou a nova ofensiva tarifária como desaforada e prometeu reação na OMC. O resultado desta terça mostra se a diplomacia brasileira conseguiu, ao menos, reduzir o tamanho do golpe.

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