Economia

IPCA de junho sobe 0,16%, menor taxa em oito meses, e inflação anual vai a 4,64%

Queda de 0,24% nos alimentos freia o índice; energia elétrica e passagens aéreas seguem pressionando o orçamento das famílias

A inflação oficial do país subiu 0,16% em junho, a menor taxa em oito meses, segundo o IPCA divulgado pelo IBGE na sexta-feira (10). Em 12 meses, o índice desacelerou de 4,72% para 4,64%, com queda no preço dos alimentos puxando o alívio.

O resultado veio bem abaixo do que o mercado esperava, uma alta em torno de 0,31%. No ano, a inflação acumula 3,36%. Mesmo em desaceleração, o acumulado de 12 meses ainda roda acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central.

Comida mais barata na feira e no supermercado

O grupo alimentação e bebidas caiu 0,24% em junho, depois de subir 1,33% em maio, e foi o principal freio do índice. A alimentação no domicílio, a que pesa na feira e no supermercado do brasiliense, recuou 0,39%.

Entre os itens que ficaram mais baratos estão:

  • Café moído: queda de 3,72%;
  • Frutas: queda de 1,58%;
  • Carnes: queda de 0,64%.

Na direção contrária, o feijão-carioca subiu 8,31% e a batata-inglesa avançou 3,57%. Comer fora de casa também ficou 0,15% mais caro.

"O recuo dos preços dos alimentícios mostra uma tendência e representa devolução de altas recentes", disse o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, do IBGE, à Agência Brasil.

Energia elétrica segue como maior pressão

Do outro lado da balança, a conta de luz subiu 1,53% e exerceu o maior impacto individual sobre o IPCA de junho, embora em ritmo menor que os 3,67% de maio. Com isso, o grupo habitação avançou 0,63%.

Nos transportes, que subiram 0,17%, o vilão foi a passagem aérea, com salto de 7,12%. Os combustíveis aliviaram: o etanol caiu 3,09%, o óleo diesel recuou 1,19% e a gasolina cedeu 0,12%.

O que muda para o bolso e para os juros

Para as famílias do DF, o dado de junho indica trégua no item que mais pesou no orçamento no primeiro semestre, a comida, enquanto energia e serviços seguem pressionando. O movimento repete o sinal que o IPCA-15 de junho, a prévia da inflação, já havia mostrado.

O número também chega ao Banco Central em momento de juro parado no patamar mais alto do ciclo. O mercado, segundo o boletim Focus, projeta inflação de 5,33% e Selic de 14% no fim de 2026. Uma sequência de resultados baixos como o de junho é o que pode abrir espaço para cortes à frente.

O IBGE divulga o IPCA de julho em agosto. Até lá, o consumidor deve continuar sentindo preços de alimentos em acomodação e conta de luz mais salgada, no ritmo das bandeiras tarifárias.

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