Ideb do DF fica estável nos anos iniciais e recua no ensino médio
Dados do Inep mostram alta nos anos finais do fundamental, queda nas notas de português e matemática da 3ª série e avanço da rede pública nas séries iniciais
O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do Distrito Federal ficou estável nos anos iniciais do ensino fundamental, subiu nos anos finais e recuou no ensino médio, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 6 de agosto. O indicador é calculado a cada dois anos e combina as notas do Saeb com o fluxo escolar.
Nos anos iniciais, o DF repetiu o 6,4 registrado em 2023. Nos anos finais, passou de 5,0 para 5,1. No ensino médio, caiu de 4,2 para 4,1, etapa em que o resultado vem oscilando para baixo há dois ciclos.
Quando se olha apenas a rede pública, o desenho muda um pouco. Nos anos iniciais, a nota subiu de 5,9 para 6,0. Nos anos finais, de 4,6 para 4,7. No ensino médio, recuou de 3,7 para 3,6.
Onde as notas caíram
O detalhamento do Saeb, prova aplicada em escala de 0 a 500, ajuda a localizar o problema. No 5º ano, a média de língua portuguesa do DF caiu de 227,44 para 225,79, e a de matemática ficou praticamente parada, de 237,46 para 237,38. No 9º ano houve leve alta nas duas áreas: português foi de 260,35 para 260,64 e matemática, de 259,04 para 261,53.
A queda mais clara está no fim da educação básica. Na 3ª série do ensino médio, a média de português caiu de 282,05 para 278,64 e a de matemática, de 280,82 para 276,78. São quedas de 3,4 e 4 pontos, na etapa em que o estudante está mais próximo do vestibular, do Enem e da entrada no mercado de trabalho.
O contraste com o país é o dado que muda a leitura. No Brasil, o 5º ano subiu de 207,6 para 215,1 em português e de 218,3 para 227,4 em matemática. No 9º ano, a média nacional foi de 252,9 para 256,6 em português e de 249,9 para 255,3 em matemática. Ou seja: o país avançou nas séries iniciais enquanto o DF ficou parado, e a distância entre a rede local e a média nacional diminuiu.
O que o número não mostra
O Ideb não separa por região administrativa na divulgação nacional, e o DF tem redes internas muito diferentes entre si. Escolas do Plano Piloto e de cidades como Ceilândia, Estrutural e Sol Nascente convivem no mesmo indicador, e a média esconde essa dispersão.
- Anos iniciais (DF): 6,4 em 2023 e 6,4 em 2025
- Anos finais (DF): 5,0 para 5,1
- Ensino médio (DF): 4,2 para 4,1
- Rede pública, anos iniciais: 5,9 para 6,0
- Rede pública, ensino médio: 3,7 para 3,6
O resultado chega no momento em que o GDF trocou o comando da Secretaria de Educação. A pasta assume a rede com a tarefa de reverter a queda no ensino médio, etapa que concentra os piores números do DF e que depende de política de permanência do estudante, não apenas de reforço de conteúdo.
O Saeb 2025 teve participação de 73.767 escolas em todo o país, distribuídas em 247.744 turmas, com cerca de 5,9 milhões de estudantes avaliados. Os resultados completos estão disponíveis no sistema do Inep para consulta por gestores, diretores, professores e pesquisadores.