Alunos felizes na escola caem de 80% para 51% do 4º ao 7º ano, aponta levantamento
Relatório com 89,7 mil pessoas mostra que exposição à violência passa de 16,6% para 39% nesse período
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Entre o 4º e o 7º ano do ensino fundamental, a parcela de estudantes que se diz feliz e empolgada ao ir para a escola cai de 79,9% para 50,8%, e a que relata exposição à violência passa de 16,6% para 39%. Os números são da terceira edição do relatório Saúde Mental & Bem-Estar Escolar, da Great Place to Study Brasil, divulgada pela Folhapress e publicada pelo Jornal de Brasília nesta segunda-feira (12).
O levantamento ouviu 89.744 pessoas: 41.958 estudantes, 9.347 educadores e 38.439 familiares, por questionários digitais. As respostas foram coletadas de agosto de 2025 a agosto de 2026, e a base de famílias foi acompanhada de março de 2025 a outubro de 2026. Segundo a organização, a análise adotou nível de confiança de 95%, com testes de correlação e consistência.
O que os números mostram
- Entre alunos do 8º ano e do 3º ano do ensino médio, 57% citam bullying frequente ou violência física normalizada no dia a dia. Desses, 1 em cada 5 se declara alvo direto de agressões.
- 40,6% dos estudantes não se sentem valorizados pela escola, e 40,1% dizem que os professores não se importam com seus sentimentos.
- 44% das vítimas de bullying não acreditam que a escola vá agir.
- Em ambientes de baixa violência, 27% dizem frequentar a escola só por obrigação. Onde a violência é muito alta, o índice chega a 60%.
- Um em cada sete professores relata sofrimento constante, com sinais de desgaste emocional severo, e 66,3% desses gostariam de ter escolhido outra profissão.
Por que o vínculo cai, segundo os entrevistados
O diretor da Great Place to Study Brasil, João Hoeppner, atribui parte da queda ao peso crescente do conteúdo e do vestibular, enquanto a convivência, nas palavras dele, "tende a ficar mais fria". Segundo ele, "mesmo no melhor cenário, 1 a cada 4 estuda ali por medo"; no ensino fundamental, a proporção é de 1 a cada 3.
Ele defende que as escolas trabalhem a consciência de quem assiste aos episódios de violência: "Se não tem plateia, não tem show". E diz que as campanhas contra o bullying mais efetivas partem dos próprios estudantes, não só da direção.
A pesquisadora Maria Amélia Santoro Franco, doutora em educação pela USP, afirma que a queda no entusiasmo não se explica só pela idade. Na passagem para os anos finais, cresce o número de professores e disciplinas, e a convivência com os colegas ganha peso. Para ela, quando o conhecimento fica restrito ao que será cobrado nas avaliações, a escola pode perder sentido para o aluno.
O que pais e responsáveis podem observar
O relatório é uma pesquisa por questionário digital, sem amostra representativa da população de estudantes do país, e a reportagem não detalha os dados por estado. Por isso, os percentuais não descrevem, por si, as escolas do Distrito Federal. Servem como alerta de comportamento: queda de interesse ao passar para os anos finais, relato de apelidos ou agressões e a sensação de que a escola não vai agir. Em caso de bullying, a conversa começa pela coordenação da própria escola.
Fonte: Folhapress, via Jornal de Brasília (12/10/2026). Os dados são da Great Place to Study Brasil.