Rodada do Brasileirao leva campanha de doacao de orgaos aos estadios
Acao da CBF com a Fundacao Pro-Rim marca o Setembro Verde nos dez jogos da 27a rodada
Os dez jogos da 27ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A recebem a campanha "Um Sim pela Vida", de conscientização sobre doação de órgãos. A ação da CBF em parceria com a Fundação Pró-Rim começou na quinta-feira (11) e vai até a segunda-feira (14).
A rodada abriu com o clássico entre Coritiba e Athletico-PR e se encerra com Bahia e Remo. A iniciativa integra o Setembro Verde, mês dedicado à mobilização pela doação de órgãos e tecidos no país.
O tamanho da fila
Cerca de 50 mil pessoas aguardam por um órgão no Brasil. A maior parte espera pelo mesmo órgão: quase 46 mil pessoas estão na fila do transplante de rim, o que explica a presença da Fundação Pró-Rim na campanha.
O estádio funciona como vitrine porque o obstáculo brasileiro não é técnico, e sim de comunicação familiar. No país, a doação depois da morte depende de autorização dos familiares, independentemente do que a pessoa tenha registrado em vida em documento.
- Não existe registro oficial de doador: carteira de identidade e carteira de motorista não vinculam a decisão.
- A palavra final é da família: cônjuge ou parente até segundo grau precisa assinar o termo de autorização.
- O que funciona é avisar: comunicar a decisão a quem convive com você é o único passo que reduz a recusa no momento da perda.
- Doador vivo: a doação em vida é permitida entre parentes até quarto grau, cônjuge, e, fora desse círculo, mediante autorização judicial.
Por que a recusa familiar pesa
A negativa da família é apontada há anos como o principal ponto de perda de doadores efetivos no Brasil. Quando o assunto não foi conversado, o parente decide em estado de choque, e a resposta mais frequente nesse cenário é o não.
É esse ponto que campanhas em estádio tentam atacar. A escolha do futebol como palco busca alcançar público que não é atingido por campanha de posto de saúde, e a rodada inteira concentra a mensagem num intervalo curto de dias, com reforço nas transmissões.
O DistritoNews já detalhou como funciona a autorização familiar na doação de órgãos no Brasil e por que a manifestação em vida não substitui o consentimento dos parentes.
O que fazer depois do jogo
Quem quiser ser doador não precisa preencher formulário nem procurar cartório. A orientação das centrais de transplante é direta: diga aos seus familiares, com clareza, que essa é a sua vontade, e repita a conversa de tempos em tempos.
Informações sobre transplante, fila e centrais estaduais estão disponíveis no portal do Ministério da Saúde e nas secretarias estaduais de saúde. No Distrito Federal, a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos funciona vinculada à Secretaria de Saúde e concentra o atendimento local.