Valieva perde status de atleta neutra e fica fora do calendário da ISU
Patinadora russa de 20 anos nao podera disputar competicoes internacionais na temporada 2026-27
A patinadora russa Kamila Valieva, de 20 anos, perdeu o status de atleta neutra concedido pela União Internacional de Patinação (ISU) e ficará fora das competições internacionais da entidade na temporada 2026-27. A decisão foi divulgada na quinta-feira (10).
A ISU não informou quais critérios teriam sido descumpridos por Valieva. A entidade limitou-se a registrar, em comunicado, que "cada decisão está sujeita aos direitos de recurso aplicáveis nos termos da Constituição e dos Regulamentos da ISU".
Pelas regras de neutralidade em vigor, atletas da Rússia e de Belarus podem ter o status negado se tiverem servido nas forças armadas ou nos serviços de segurança dos dois países, se tiverem participado de operações militares contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022 ou se manifestaram apoio público à guerra.
Rússia anuncia ação no CAS
O governo russo reagiu à decisão e prometeu levar o caso ao Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne.
"A Federação Russa de Patinação Artística e nossos patinadores, que foram injustamente privados do direito de competir nas competições internacionais da ISU, entrarão em breve com uma ação no CAS contra a ISU. Nossos atletas e federações receberão apoio jurídico, incluindo a disponibilização de advogados qualificados", afirmou o ministro do Esporte da Rússia, Mikhail Degtyarev.
Ao todo, 234 atletas e dirigentes filiados às federações da Rússia e de Belarus apresentaram declarações de neutralidade para a temporada 2026-27. O regime de neutralidade vigora desde que a ISU excluiu as duas federações das competições internacionais, após a invasão da Ucrânia.
De medalhista olímpica aos 15 anos à suspensão por doping
Valieva chegou aos Jogos de Inverno de Pequim, em 2022, com 15 anos e como favorita. Durante a competição, veio a público que ela havia testado positivo para uma substância proibida em exame coletado meses antes, o que transformou o caso na maior polêmica antidoping daquela edição.
O episódio terminou em suspensão de quatro anos. A punição a deixou inelegível também para os Jogos de Inverno de Milão-Cortina. A patinadora voltou a competir em janeiro, em campeonato nacional na Rússia, disputa que não depende de autorização da ISU.
A perda do status de neutra fecha, na prática, o calendário internacional para ela: Grand Prix, Campeonato Europeu e Mundial são organizados pela ISU.
O que é o status de atleta neutra
O mecanismo permite que atletas de países suspensos disputem competições sem representar a bandeira nacional, sem hino e sem contabilizar medalhas para o país de origem. Cada federação internacional define os próprios critérios de concessão e pode revogar a autorização.
- O atleta compete sem símbolos nacionais e sob sigla neutra.
- A avaliação é individual, caso a caso, e pode ser revista.
- A recusa costuma ser fundamentada em vínculo militar ou em manifestação pública de apoio à guerra.
- Cabe recurso interno na entidade e, depois, ao Tribunal Arbitral do Esporte.
O critério da ISU é mais rígido que o de outras federações internacionais, o que explica a diferença no número de russos autorizados a competir conforme a modalidade.
Outras disputas internacionais movimentam o calendário brasileiro nesta semana. O DistritoNews acompanha a decisão do Pré-Olímpico Sul-Americano de vôlei feminino entre Brasil e Argentina.