Tifanny reage à regra da CBV e diz que não vai se calar
Atleta chama de retrocesso a exigência de teste genético para a categoria feminina e afirma que vai tomar todas as medidas possíveis
A jogadora Tifanny Abreu reagiu à regra anunciada na sexta-feira (14) pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que passa a exigir teste genético com resultado negativo para o gene SRY como condição para disputar competições femininas no país.
Em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, a atleta classificou a medida como um enorme retrocesso e comparou a exigência aos exames aplicados a mulheres no esporte nas décadas de 1960 e 1970. "A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é meu amor pelo vôlei e a profissão que exerço todos esses anos", afirmou.
"Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis", disse Tifanny Abreu.
Tifanny defende o Osasco desde 2021 e é a jogadora mais conhecida entre as que podem ser atingidas pela exigência, segundo a CNN Brasil.
O que a regra determina
O exame busca a presença do gene SRY, região do cromossomo Y ligada à determinação sexual, e é feito por amostra de sangue ou raspagem oral. Só quem apresentar resultado negativo fica apto a competir. A CBV informou que passa a seguir os critérios da Política de Proteção da Categoria Feminina do Comitê Olímpico Internacional (COI), publicada em março de 2026.
"A CBV passa a seguir, a partir de hoje, os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI", diz o comunicado da entidade.
A exigência vale para as seguintes competições, segundo a confederação:
- Superliga A e Superliga B, a partir da temporada 2026/2027;
- Supercopa 2026;
- Copa Brasil 2027;
- Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, categoria adulta;
- CBVP Challenger 2027.
O efeito prático na próxima temporada
A Superliga 2026/2027 é a primeira competição nacional a cair sob a nova exigência, o que coloca a inscrição de atletas trans em xeque já na próxima temporada. As informações divulgadas pela CBV não detalham quem custeia o exame, em que prazo ele precisa ser apresentado nem qual o procedimento para atletas que se recusarem a fazê-lo.
A confederação também não informou se haverá processo de recurso ou avaliação individual, mecanismo previsto em outras federações internacionais que adotaram políticas semelhantes. O comunicado se limita a vincular a mudança ao texto do COI.
O DistritoNews publicou na semana passada o detalhamento da regra do teste genético para atletas da categoria feminina. A temporada de vôlei também tem representação local: o Brasília Vôlei disputa a Superliga 2026/2027 com equipes de base.
A nova política do COI, adotada em março, orientou entidades nacionais a definirem critérios de elegibilidade para a categoria feminina, e a CBV é uma das primeiras confederações brasileiras a incorporar o texto ao regulamento das próprias competições.
A exigência alcança tanto o vôlei de quadra quanto o de praia e vale apenas para as competições da categoria feminina. Torneios masculinos não foram afetados pela mudança. O comunicado da CBV foi divulgado na sexta-feira (14), antes da abertura das inscrições para a temporada 2026/2027, o que deixa clubes e atletas com prazo curto para se adequarem à nova exigência.