CBV exige teste genético de atletas mulheres a partir da temporada 26/27
Confederação adota triagem do gene SRY na Superliga, na Supercopa, na Copa Brasil e no circuito de praia, seguindo parâmetros do COI e da FIVB
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) passou a exigir teste genético de atletas mulheres para a disputa de suas competições, conforme decisão divulgada na sexta-feira (14). A medida vale a partir da temporada 26/27 e alcança tanto a quadra quanto a areia.
O exame consiste na testagem e triagem do gene SRY, feita por coleta de sangue ou por esfregaço bucal. O gene fica no cromossomo Y e é o principal responsável pela diferenciação sexual masculina durante o desenvolvimento embrionário.
A confederação afirma que a mudança segue os parâmetros adotados pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) e pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB), que revisaram nos últimos anos os critérios de elegibilidade para competições femininas.
"Com a mudança dos parâmetros internacionais e da responsabilidade institucional, a CBV buscou manter o alinhamento entre as regras", afirmou o presidente da entidade, Radamés Lattari.
Quais competições entram na regra
A exigência passa a valer para as principais disputas organizadas pela confederação, em quadra e em praia:
- Superliga A e Superliga B
- Supercopa 2026
- Copa Brasil 2027
- Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027, na categoria adulto
- CBVP Challenger 2027
Na prática, a apresentação do resultado passa a integrar a documentação exigida para a inscrição das atletas nessas competições. A CBV não detalhou o procedimento em caso de resultado que contrarie a elegibilidade nem quem arcará com o custo dos exames.
O caso que serve de pano de fundo
A decisão afeta diretamente a situação de atletas trans no vôlei nacional. A jogadora Tiffany, do Osasco, é a mais conhecida entre as que podem ser atingidas pela nova exigência. Em fevereiro de 2026, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a participação dela em competições femininas.
A confederação não citou nomes ao anunciar a medida e apresentou a mudança como adequação a normas internacionais. O comunicado também não esclarece como a nova exigência convive com decisões judiciais já em vigor.
A discussão sobre critérios de elegibilidade no esporte feminino ganhou tração depois que federações internacionais de atletismo, natação e ciclismo adotaram regras baseadas em marcadores biológicos, em vez do parâmetro anterior, que usava níveis de testosterona.
O que muda para os clubes
Clubes que disputam a Superliga precisam agora incluir o exame no calendário de pré-temporada, junto com avaliações físicas e exames cardiológicos já obrigatórios. O prazo é curto: a Supercopa abre o calendário nacional ainda em 2026.
Times do Distrito Federal que participam das competições de base e do circuito de praia acompanham a definição, porque a regra tende a se estender às categorias inferiores conforme a federação internacional avance na normatização.
No Distrito Federal, a temporada de quadra tem o Brasília Vôlei como principal representante feminino na elite nacional. O clube manteve a base do elenco para a próxima Superliga Feminina e agora terá de incluir o exame na rotina de inscrição das atletas, como todos os times da competição.
A CBV não divulgou a data limite para a apresentação dos exames nem o fluxo de recurso disponível às atletas. As competições atingidas começam a definir seus regulamentos específicos nas próximas semanas.