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Arruda critica compra de títulos pelo BRB e defende encolher o banco

Em convenção do PSD que confirmou sua candidatura ao GDF, ex-governador falou em patrimônio de R$ 4 bilhões e R$ 16 bilhões em papéis

O ex-governador José Roberto Arruda afirmou no sábado (1º) que a compra de títulos pelo BRB foi "um ato de enorme irresponsabilidade" e disse que salvar o banco será o desafio maior de quem assumir o governo do Distrito Federal. A declaração foi dada no Centro Internacional de Convenções do Brasil, durante a convenção do PSD que confirmou sua candidatura ao Palácio do Buriti.

Arruda comparou o patrimônio do banco público ao volume de papéis adquiridos. Segundo ele, a operação colocou o BRB em situação delicada e precisa ser examinada pelos órgãos de controle.

O que eu sinto da atual gestão é que foi um ato de enorme irresponsabilidade, que um banco que tem um patrimônio líquido de 4 bilhões tenha comprado títulos podres de 16 bi

O ex-governador também associou o calendário do balanço do banco ao calendário eleitoral. "A legenda disso é: gente, espera passar a eleição, depois o banco pode quebrar", disse.

A proposta apresentada na convenção

Ao descrever o que faria à frente do governo, Arruda apresentou três medidas para o banco: reduzir o tamanho da instituição, concentrar a atuação em Brasília e negociar com o governo federal a transferência dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.

Tem que reduzir o tamanho do banco, voltar o foco dele para Brasília e negociar com o governo federal a vinda do FCO. São R$ 15 bilhões que hoje estão no Banco do Brasil

O FCO é o fundo que financia produtores rurais, indústria, comércio e serviços na região Centro-Oeste, com recursos da União. A operação do fundo no DF é feita hoje pelo Banco do Brasil. Transferir a operação para o BRB depende de decisão federal e de habilitação da instituição como agente financeiro do fundo.

Ao falar da atual gestão, o ex-governador afirmou não apontar culpados e usou a comparação entre piloto e copiloto em uma aeronave em queda, referência à governadora Celina Leão, que assumiu o cargo após a desincompatibilização de Ibaneis Rocha.

O que diz o banco

Em nota divulgada no sábado (1º), o BRB negou ter pedido prorrogação de prazo para entregar suas demonstrações financeiras. O banco afirmou que "nenhuma solicitação de extensão de prazo para entrega das suas demonstrações financeiras foi realizada junto ao Banco Central" e que mantém "diálogo permanente, técnico e transparente com o regulador", prestando as informações exigidas pelas normas aplicáveis.

O balanço do banco segue pendente. A instituição não informou data para a divulgação. O governo do Distrito Federal não se manifestou sobre as declarações do ex-governador até a publicação desta reportagem.

A situação financeira do BRB entrou na disputa eleitoral do DF depois que a Advocacia-Geral da União tratou de contragarantias em operações que envolvem o banco. O DistritoNews mostrou os termos dessa negociação em reportagem sobre o socorro de R$ 66 bilhões.

As convenções partidárias no Distrito Federal seguem até 5 de agosto. O prazo para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até 15 de agosto.

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