DF tem 459,6 mil eleitores com 60 anos ou mais, 20% do eleitorado
Faixas a partir dos 70 anos, em que o voto é facultativo, somam mais de 200 mil pessoas aptas a votar em outubro
O Distrito Federal chega às eleições de outubro com 459.618 eleitores de 60 anos ou mais, cerca de 20% do eleitorado local, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados pelo Correio Braziliense nesta quinta-feira (13). O número mais que dobrou em pouco mais de uma década.
Em 2014, essa faixa reunia 222.135 pessoas no DF. Passou a 299.242 em 2018, chegou a 370.695 em 2022 e agora alcança os atuais 459.618. A curva acompanha o envelhecimento da população brasileira e transforma o eleitor de mais idade em um bloco que nenhuma campanha distrital consegue ignorar.
Como o eleitorado se divide por idade
O recorte por faixas mostra que o grupo não é homogêneo. A distribuição atual no DF é a seguinte:
- 70 a 74 anos: 83.697 eleitores
- 75 a 79 anos: 57.624
- 80 a 84 anos: 33.858
- 85 a 89 anos: 18.093
- 90 a 94 anos: 7.358
- 95 a 99 anos: 2.216
- 100 anos ou mais: 563
Somadas, as faixas a partir dos 70 anos chegam a 203.409 eleitores. É justamente nessa fronteira que a obrigação legal termina. A Constituição torna o alistamento e o voto obrigatórios para pessoas alfabetizadas de 18 a 70 anos. Para quem tem 16 ou 17 anos, para pessoas analfabetas e para quem passou dos 70, votar é uma escolha, sem multa nem justificativa em caso de ausência.
Na prática, isso significa que mais de 200 mil pessoas no DF vão às urnas em outubro apenas se quiserem. Eleitores com 60 anos ou mais têm prioridade de atendimento nas seções eleitorais, independentemente de o voto ser obrigatório ou facultativo.
Quem passou dos 70 e decide não votar não precisa apresentar justificativa, não paga multa e não tem o título cancelado por ausência. A regra de suspensão por três eleições consecutivas sem comparecimento nem justificativa se aplica a quem tem o voto obrigatório. Também não é preciso fazer qualquer cadastro extra para votar: basta comparecer à seção com documento oficial com foto.
A prioridade de atendimento não se limita à fila. Eleitores com dificuldade de locomoção podem pedir transferência para seção instalada em local de acesso mais fácil, procedimento feito no cartório eleitoral fora do período de campanha.
O peso eleitoral e o risco da desinformação
Para o advogado eleitoral Newton Lins, o movimento demográfico se converte diretamente em poder de decisão.
"O Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional e, a cada eleição, cresce o peso eleitoral desse segmento"
O professor de políticas públicas do Ibmec Brasília Eduardo Galvão aponta um efeito colateral dessa entrada tardia no ambiente digital. Segundo ele, muitos idosos passaram a usar intensamente aplicativos de mensagens e redes sociais nos últimos anos, mas nem sempre desenvolveram as habilidades necessárias para identificar conteúdo falso.
Há ainda a questão da autonomia do voto. O advogado eleitoral Juarez Antônio da Silva lembra que nenhum familiar, cuidador, dirigente de instituição, empregador ou terceiro pode constranger, ameaçar, induzir mediante vantagem ou controlar a escolha política de uma pessoa idosa. A conduta configura crime eleitoral.
Em outubro, o eleitor do DF vai preencher urna com cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e deputado distrital. Veja a ordem de votação e por que o eleitor terá dois votos para o Senado.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Onde houver segundo turno, a votação ocorre em 25 de outubro.