Eleitorado jovem cai 22% no país e 38,7% na faixa de 16 e 17 anos no DF
Levantamento com dados do TSE mostra 5,5 milhões de jovens a menos que em 2010; no Distrito Federal, o recuo é mais forte entre quem tem voto facultativo
O eleitorado brasileiro entre 16 e 24 anos recuou 22% em 16 anos, segundo levantamento do Instituto Nexus com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgado nesta sexta-feira, 15. Eram 24,7 milhões de eleitores nessa faixa em 2010 e são 19,2 milhões em 2026, uma diferença de 5,5 milhões de votos. A participação do grupo no total do eleitorado caiu de 18,2% para 12,5%.
No Distrito Federal, o movimento aparece de forma ainda mais acentuada na faixa em que o voto é facultativo. O número de eleitores de 16 e 17 anos passou de 31.307 em 2022 para 19.194 em 2026, recuo de 38,7% em quatro anos. Entre os de 16 anos, a queda foi de 12.651 para 7.004 eleitores, ou 44,6%. Entre os de 17 anos, de 18.656 para 12.190, o equivalente a 34,7%.
O DF tem 2.253.732 eleitores aptos a votar em outubro. Os jovens com voto facultativo representam cerca de 0,9% desse total.
Envelhecimento e desinteresse pesam no mesmo sentido
A queda combina dois fatores distintos. O primeiro é demográfico e independe de qualquer decisão do eleitor: o país tem menos jovens em números absolutos do que tinha em 2010, resultado da redução da taxa de natalidade ao longo de duas décadas. O segundo é comportamental e se concentra na faixa de 16 e 17 anos, em que tirar o título é uma escolha, não uma obrigação.
Para o presidente-executivo do Nexus, Marcelo Tokarski, a quantidade absoluta de votos dos jovens segue perdendo força a cada ano. O professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo Hilton Fernandes avalia que o discurso mais radical tende a atender mais o jovem, leitura que ajuda a explicar por que campanhas disputam esse público em plataformas digitais mesmo com o peso eleitoral em queda.
A distribuição por unidade da Federação não é uniforme. As menores proporções de jovens no eleitorado estão no Rio Grande do Sul (9%), no Rio de Janeiro (10%) e em São Paulo (11%). As maiores aparecem em Roraima, Acre, Amapá e Amazonas, com 18% cada.
O que muda para a disputa em Brasília
Em uma eleição distrital, 12 mil votos a menos numa faixa etária não decidem o Palácio do Buriti, mas fazem diferença na disputa por uma cadeira na Câmara Legislativa, em que candidatos são eleitos com poucos milhares de votos. O eleitorado do DF caminha na direção oposta na outra ponta da pirâmide: o grupo de 60 anos ou mais soma 459 mil eleitores, com peso maior na definição das vagas proporcionais.
Quem tem entre 16 e 17 anos no dia da votação pode votar, mas não é obrigado, e não responde por multa em caso de ausência. A obrigatoriedade começa aos 18 anos e volta a ser facultativa aos 70.
Como o alistamento nessa faixa depende de iniciativa própria, ele funciona como termômetro de interesse. Campanhas de incentivo ao primeiro título costumam se concentrar em escolas e em ações do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) antes do fechamento do cadastro, e o resultado delas aparece justamente nesse recorte.
O título de eleitor também deixou de ser exigido em situações em que antes era obrigatório, como a inscrição em concursos e a emissão de alguns documentos, o que reduziu o incentivo prático de tirar o documento cedo.
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