Podemos-DF fecha apoio a Michelle Bolsonaro na disputa pelo Senado
Presidente estadual do partido, Cristian Viana deixa a própria candidatura e será segundo suplente da ex-primeira-dama
O Podemos-DF fechou apoio à candidatura de Michelle Bolsonaro (PL) ao Senado pelo Distrito Federal, segundo informação publicada nesta segunda-feira (10) pelo Correio Braziliense. O presidente estadual do partido, Cristian Viana, deixa a própria disputa e passa a ocupar a posição de segundo suplente na chapa da ex-primeira-dama.
Viana havia sido anunciado candidato do Podemos ao Senado em 1º de agosto, durante a convenção da legenda. "Apresento meu nome não como busca pessoal de espaço, mas como proposta de trabalho coletivo", disse na ocasião. Com o acordo, a legenda retira a candidatura própria a menos de uma semana do prazo final de registro.
Quem costurou o acordo
A negociação foi mediada pela governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e pela senadora Damares Alves (Republicanos). As duas vinham trabalhando para reduzir a fragmentação do campo que apoia a reeleição de Celina e a chapa ao Senado formada por Michelle Bolsonaro e pela deputada federal Bia Kicis (PL).
Com a adesão do Podemos, Republicanos, PL, Progressistas e Podemos passam a sustentar o mesmo arranjo no DF: Celina ao governo e Michelle e Kicis às duas vagas de senador em disputa neste ciclo. A chapa pura do PL para o Senado foi confirmada na convenção realizada no Parque da Cidade.
O peso da suplência
A vaga de suplente costuma ser moeda de troca nas negociações de chapa majoritária. Cada candidato ao Senado registra dois suplentes, que assumem o mandato em caso de licença, renúncia ou morte do titular. Para partidos menores, a posição garante presença na chapa vencedora sem o custo de uma campanha própria ao Senado, que exige estrutura em todas as regiões administrativas.
Para quem organiza a campanha, o cálculo é o de concentrar votos. Duas vagas estão em jogo no DF nesta eleição, e cada eleitor vota em dois nomes. Candidaturas adicionais no mesmo campo dividem a base sem alterar o teto de votos do bloco.
O que muda no palanque do DF
O Podemos entrou na eleição do DF com estrutura própria e chegou a anunciar candidatura ao Senado na convenção de 1º de agosto. A troca por uma suplência indica que a legenda avaliou ter mais retorno na aliança do que na disputa isolada, cálculo comum entre partidos que concentram esforço nas candidaturas proporcionais, onde o coeficiente eleitoral define quantas cadeiras cada lista leva.
Para a campanha de Celina Leão, cada partido que adere significa mais tempo de palanque no horário eleitoral e mais estrutura de rua nas regiões administrativas, onde a capilaridade partidária pesa na reta final.
O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sexta-feira (15). Até lá, as composições ainda podem mudar, e os nomes só se tornam candidaturas formais depois de protocolados no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
A disputa pelas duas cadeiras aparece embolada nas pesquisas divulgadas até aqui. Levantamento do Correio Braziliense em parceria com o Instituto Opinião, publicado em agosto, mostrou a senadora Leila Barros com 46,9% e Michelle Bolsonaro com 42% na simulação de voto para o Senado no DF, dentro de um cenário em que o eleitor escolhe dois nomes.