Ronaldo Fonseca desiste do Senado pelo DF após gastar R$ 2,5 milhões de campanha
Ex-candidato do PSD recebeu R$ 3 milhões do fundo partidário, gastou metade só em produção de vídeo e declarou apoio a Celina Leão, Bia Kicis e Michelle Bolsonaro
Neste texto4 tópicos
O pastor Ronaldo Fonseca (PSD) anunciou em 28 de setembro que desiste da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal depois de gastar R$ 2,5 milhões em pouco mais de 40 dias de campanha, dos R$ 3 milhões que recebeu do fundo partidário nacional do PSD. Os dados constam da prestação de contas da campanha entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com movimentação atualizada até 15 de setembro.
Do total gasto, R$ 1.254.550,00, pouco mais da metade, foi destinado à produção de programas de rádio, TV e vídeo, contratada de uma empresa sediada em São Paulo. É o maior item isolado de despesa da campanha, à frente de gastos com pessoal, material gráfico e impulsionamento digital.
Por que Fonseca saiu da disputa?
A decisão veio poucos dias depois de o TSE barrar a candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ao governo do DF, por 5 votos a 2, mantendo a condenação do ex-governador na Operação Caixa de Pandora mesmo após mudança na Lei da Ficha Limpa aprovada pelo Congresso. Com o partido sem candidato ao Palácio do Buriti, Fonseca anunciou que concentraria o fundo eleitoral restante em outros nomes de direita.
Pesquisa Real Time Big Data, feita entre 24 e 28 de setembro, apontava Fonseca com apenas 1% das intenções de voto ao Senado, o que também pesou na decisão de abandonar a disputa a menos de um mês da eleição.
Para quem foi o apoio declarado
Em vídeo publicado nas redes sociais, Fonseca declarou apoio a Bia Kicis (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) para as duas vagas de senador pelo DF, e a Celina Leão (PP) para o governo, hoje na disputa do segundo turno contra Leandro Grass (PV), marcado para 25 de outubro. "Independente de nomes, nós temos uma batalha para ser vencida, que é a direita contra a esquerda", disse o pastor ao justificar a migração de apoio.

O que isso diz sobre o caixa de campanha no DF
O caso de Fonseca ilustra como o fundo eleitoral e o fundo partidário movimentam somas elevadas mesmo em candidaturas que não chegam a disputar a eleição até o fim. Receber R$ 3 milhões do PSD e gastar R$ 2,5 milhões antes de desistir significa que boa parte do dinheiro público destinado à campanha já foi convertida em produção de conteúdo e estrutura, sem que o nome do candidato chegasse às urnas em outubro.
A prestação de contas de candidatos que desistem da disputa segue as mesmas regras de transparência dos que permanecem na corrida: o TSE exige detalhamento de receitas e despesas até o encerramento formal da candidatura, disponível no sistema DivulgaCandContas.
O Distrito News mantém cobertura da prestação de contas dos principais nomes da eleição 2026 no DF. Até a publicação desta reportagem, a assessoria de Ronaldo Fonseca não havia se manifestado sobre os números.
Fundo eleitoral x fundo partidário: de onde veio o dinheiro
Os R$ 3 milhões recebidos por Fonseca vieram do fundo partidário, repassado pela direção nacional do PSD, e não do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado fundo eleitoral, que é dinheiro público distribuído entre os partidos conforme o desempenho em eleições anteriores. A distinção importa porque mostra que o PSD optou por bancar a candidatura de Fonseca com recursos próprios do partido, e não com a cota do fundo eleitoral destinada à disputa no DF, que em geral é reservada a candidaturas consideradas mais competitivas pela cúpula partidária.
Candidatos que desistem da disputa antes da votação continuam obrigados a prestar contas completas ao TSE, incluindo a devolução de eventual saldo não utilizado do dinheiro recebido. Não há, até agora, informação pública sobre se Fonseca devolveu parte dos R$ 500 mil que sobraram do total recebido.