Bebês sem nenhuma vacina no 1º ano de vida caem 90% no Brasil
Estimativa da OMS e do Unicef aponta queda de 360 mil para 50 mil crianças zero-dose entre 2023 e 2025; DF mantém doses gratuitas nas UBSs
O número de bebês brasileiros que completam o primeiro ano de vida sem receber nenhuma vacina caiu cerca de 90% entre 2023 e 2025, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Unicef divulgadas em julho e confirmadas pelo Ministério da Saúde.
As crianças nessa situação são chamadas de "zero-dose" e representam o retrato mais duro da queda de cobertura vacinal registrada no país na última década. O indicador usa como referência a primeira dose da vacina pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria Haemophilus influenzae tipo b.
A recuperação foi rápida. Os números do relatório WUENIC, produzido pelas duas organizações internacionais:
- 2023: 360 mil crianças sem a primeira dose da pentavalente no Brasil;
- 2024: 255 mil crianças;
- 2025: 50 mil crianças, queda de quase 90% na comparação com 2023.
O Ministério da Saúde atribui o resultado ao aumento da cobertura vacinal e ao aprimoramento dos sistemas públicos de registro de imunização, que tornaram os dados mais precisos. No cenário global, o mesmo relatório aponta que 116 milhões de crianças nascidas em 2025, o equivalente a 90%, receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche, e 85% completaram as três doses do esquema.
Desinformação ainda é o principal obstáculo
Para o pediatra Fabrício Nunes da Paz, ouvido pelo Correio Braziliense, a retomada reflete a reconciliação das famílias com a caderneta de vacinação.
"Com a conscientização das pessoas e a readesão às vacinas, essa queda de 90% é excelente", afirmou o médico ao jornal, lembrando que o recém-nascido chega ao mundo protegido apenas pelos anticorpos da mãe, o que torna a vacinação no tempo certo decisiva contra quadros graves como pneumonia e meningite.
Segundo o pediatra, a principal barreira segue sendo a desinformação, alimentada por alegações falsas que associam vacinas ao transtorno do espectro autista e a outras doenças. Nenhuma dessas associações tem respaldo científico.
A mesma reportagem cita outro avanço recente: a redução de 50% nas internações de bebês por bronquiolite no país, atribuída à vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório, causador de cerca de 70% dos casos, e à chegada do nirsevimabe, anticorpo aplicado em dose única.
Onde vacinar em Brasília
No Distrito Federal, as doses do calendário infantil estão disponíveis de graça nas salas de vacina das Unidades Básicas de Saúde, que seguem o calendário nacional de vacinação infantil do SUS. A rede local também ampliou o portfólio neste ano, quando Brasília começou a aplicar a vacina pneumocócica 20-valente, que reforça a proteção das crianças contra a doença pneumocócica.
A Secretaria de Saúde promove ainda mutirões periódicos aos fins de semana. No último sábado (18), 42 postos abriram em 17 regiões administrativas para atualizar a caderneta de crianças e adultos sem necessidade de agendamento.
Pais e responsáveis que identificarem dose em atraso devem procurar a UBS mais próxima com a caderneta da criança e o cartão do SUS. A orientação da rede pública é aproveitar qualquer ida à unidade, inclusive consultas de rotina, para revisar o esquema vacinal completo.