Deputado defende levar vacina às casas para reverter queda na cobertura
Coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Vacina diz que a estratégia passiva perdeu eficácia e cobra busca ativa do Ministério da Saúde
O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Vacina, deputado Dorinaldo Malafaia (PDT-AP), defendeu em 5 de agosto que o Ministério da Saúde adote uma estratégia ativa de vacinação, com equipes levando os imunizantes às casas das famílias, para reverter a queda na cobertura vacinal do país.
A declaração foi dada no Dia Nacional da Saúde, celebrado na data. Para o parlamentar, o modelo em que o cidadão precisa procurar a unidade básica deixou de dar resultado.
"A vacinação passiva, essa em que o cidadão vai até a unidade de saúde, tem mostrado baixo resultado", afirmou Malafaia.
O deputado sustenta que a rede de atenção primária já tem capilaridade para a busca ativa. Cada equipe de saúde da família acompanha entre mil e 1,5 mil famílias em seu território, o que permitiria mapear quem está com dose em atraso a partir do cadastro que já existe.
Narrativa e negacionismo
Malafaia associa a queda das coberturas ao avanço do discurso contra imunizantes e defende que o Congresso Nacional assuma o contraponto. "A gente fala muito no Parlamento que precisamos ter uma narrativa hegemônica do efeito positivo da vacina", disse.
A retração dos índices de vacinação no Brasil abriu espaço para o retorno de doenças que estavam sob controle, com o sarampo no centro do problema. São Paulo confirmou casos da doença neste ano e ampliou a oferta de dose na capital, situação que colocou estados e o Distrito Federal em alerta para o rastreamento de contatos.
O Brasil chegou a receber da Organização Pan-Americana da Saúde, em 2016, o certificado de eliminação do sarampo, perdeu a condição em 2019 depois de surtos no Norte e no Sudeste e voltou a recuperá-la em 2024, após dois anos sem circulação do vírus autóctone. Cada novo conjunto de casos importados recoloca esse status em risco, porque a certificação depende de interromper a transmissão em até 12 meses.
A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida na rede pública em duas doses, aos 12 e aos 15 meses de idade. Quem tem entre 1 e 29 anos e não completou o esquema pode buscar a atualização, e adultos de 30 a 59 anos sem comprovação recebem uma dose.
Mobilização vai até setembro
A campanha nacional de multivacinação segue até 1º de setembro, com um Dia D marcado para 22 de agosto. O objetivo é atualizar a caderneta de crianças, adolescentes e adultos com doses em atraso, sem exigência de agendamento na maior parte da rede.
No Distrito Federal, a Secretaria de Saúde mantém a campanha aberta no mesmo período. Para atualizar a caderneta, o público-alvo precisa levar documento de identificação, cartão do SUS e a carteira de vacinação, quando houver.
O que vale conferir antes de procurar a sala de vacina:
- Documento com foto e cartão do SUS;
- Carteira de vacinação, mesmo incompleta;
- Idade e condição de saúde, que definem quais doses estão indicadas;
- Horário da unidade, que varia entre postos do DF.
A frente parlamentar não apresentou até o momento projeto de lei que obrigue a busca ativa. A proposta, na formulação do deputado, depende de decisão administrativa do Ministério da Saúde e da adesão de estados e municípios, responsáveis pela execução da campanha.
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