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Empresas devem facilitar a vacinação contra o sarampo, diz ANAMT

Alerta veio após 16 casos em São Paulo; país soma 19 registros confirmados no ano e a tríplice viral segue gratuita nas unidades básicas

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) orientou empresas de todo o país a facilitar o acesso dos trabalhadores à vacinação contra o sarampo, após o registro de 16 casos da doença em São Paulo. O alerta foi divulgado na quarta-feira (5) e pede também que as companhias promovam campanhas educativas baseadas em evidências científicas.

O Brasil soma 19 registros confirmados de sarampo neste ano. O país recuperou em 2024 a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus, mas casos importados e surtos localizados continuam a aparecer, o que faz da cobertura vacinal alta a única barreira estável contra a volta da transmissão.

O que a empresa deve fazer

A recomendação da entidade se dirige a dois públicos dentro da companhia. Para o empregador, o pedido é remover o obstáculo prático: liberar o trabalhador para procurar a unidade de saúde e informar sobre o esquema vacinal sem apelar a conteúdo sem respaldo científico.

Para o médico do trabalho, a orientação é aproveitar os momentos em que o trabalhador já está diante do serviço de saúde ocupacional. A ANAMT recomenda que a situação vacinal seja verificada nos exames admissionais, periódicos, de retorno ao trabalho e demissionais, com atenção maior a profissionais da saúde e a outros grupos com risco de exposição.

Ao trabalhador, a entidade recomenda conferir a caderneta e procurar uma unidade básica de saúde caso não tenha o comprovante das doses ou tenha dúvida sobre o esquema recebido. A checagem não depende de autorização da empresa nem de encaminhamento médico.

Quem precisa de quantas doses

A principal vacina contra o sarampo é a tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola e está disponível de graça nas unidades básicas de saúde. O calendário do Programa Nacional de Imunizações funciona assim:

  • crianças: uma dose de tríplice viral aos 12 meses e a tetra viral aos 15 meses, que acrescenta proteção contra varicela;
  • de 1 a 29 anos: quem não tem comprovante de duas doses deve receber o esquema básico ou completá-lo;
  • de 30 a 59 anos: uma dose para quem não tem histórico comprovado;
  • trabalhadores da saúde: duas doses comprovadas, independentemente da idade, pelo risco ocupacional;
  • de 6 a 11 meses e 29 dias: a chamada dose zero, aplicada apenas em situações definidas pelas autoridades sanitárias, como bloqueio vacinal, varredura em área delimitada ou viagem para local com surto ativo. Ela não substitui as doses do calendário regular.

A vacina é contraindicada para gestantes, crianças com menos de 6 meses, pessoas com imunossupressão grave e quem já teve reação alérgica grave a algum componente da fórmula.

No Distrito Federal, a tríplice viral é aplicada nas salas de vacina das unidades básicas de saúde da rede pública, sem necessidade de agendamento prévio para a rotina. Quem perdeu a caderneta pode pedir a segunda via na própria unidade onde foi vacinado.

O sarampo é altamente transmissível e circula pelo ar, o que faz de ambientes fechados com muita gente, entre eles escritórios, fábricas e transporte coletivo, o cenário em que um caso isolado vira surto. O DistritoNews acompanha as campanhas de imunização no DF, entre elas a definição da faixa etária para a vacinação contra a dengue.

A ANAMT não estabeleceu prazo para as empresas adotarem as medidas nem prevê fiscalização própria: a recomendação é técnica e serve de referência para os serviços de medicina do trabalho.

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