Pesquisa de polipílula contra AVC busca 8,5 mil voluntários e inclui o DF
Estudo do Hospital Moinhos de Vento com o Ministério da Saúde testa três remédios em um comprimido só
Um estudo clínico que testa a chamada polipílula na prevenção do primeiro acidente vascular cerebral busca 8,5 mil voluntários em todo o país, e o Distrito Federal está entre os locais com centro participante. A pesquisa é conduzida pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, em parceria com o Ministério da Saúde pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).
A polipílula reúne três medicamentos em um único comprimido: a rosuvastatina 10 mg, usada contra o colesterol, e dois remédios para pressão alta, a valsartana 80 mg e a anlodipina 5 mg. A proposta é simplificar o tratamento de quem precisaria tomar as três substâncias separadas, o que costuma derrubar a adesão ao longo dos anos.
Quem pode participar
O estudo procura pessoas de 50 a 75 anos que nunca tiveram AVC nem infarto e que não usam medicamentos para colesterol, hipertensão ou diabetes. É preciso ter pressão arterial na faixa entre 121 e 139, conforme a descrição divulgada pela Agência Brasil, e apresentar pelo menos um fator de risco modificável, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada ou tabagismo.
O acompanhamento dura de três a quatro anos. O objetivo principal é medir se o tratamento reduz o risco de AVC, de demência e de piora da memória. Como desfecho secundário, os pesquisadores vão comparar a ocorrência de infarto, insuficiência cardíaca e morte por doença circulatória entre os participantes.
A ideia é que a gente consiga provar a eficácia do tratamento nessas pessoas que são de baixo e médio risco
A frase é da neurologista Sheila Martins, chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento e coordenadora do estudo. Segundo ela, quanto maior o número de participantes, mais robustas ficam as evidências e maior o potencial de orientar futuras políticas públicas de prevenção.
Da fase piloto para 14 centros
A primeira etapa de testes em humanos envolveu 370 pessoas em Porto Alegre, entre 2020 e 2023. A fase atual amplia a amostra para 8,5 mil voluntários distribuídos em 14 centros de pesquisa, em São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco e Acre. Outras unidades estão sendo recrutadas pelo país.
- Composição: rosuvastatina 10 mg, valsartana 80 mg e anlodipina 5 mg
- Idade dos voluntários: 50 a 75 anos
- Meta: 8,5 mil participantes em 14 centros
- Duração do acompanhamento: de três a quatro anos
- Contato para inscrição: telefone ou WhatsApp (51) 99935-6911
Por que isso interessa a quem mora no DF
O AVC está entre as principais causas de morte e de incapacidade permanente no Brasil, e a maior parte dos casos ocorre em pessoas que não faziam tratamento contínuo para pressão ou colesterol. Um esquema de comprimido único, se comprovado, é o tipo de intervenção que o SUS consegue distribuir em escala na atenção básica, o que muda a conta da prevenção nas unidades de saúde do DF.
A rede pública local já convive com a pressão do envelhecimento populacional sobre os serviços de urgência. Casos de AVC exigem atendimento em janela de tempo curta e deixam sequelas que puxam demanda por reabilitação por anos. Prevenção em população de risco baixo e médio é a faixa em que o custo por caso evitado tende a ser menor.
O acesso a medicamento de uso contínuo é o gargalo conhecido desse tipo de política. Programas de distribuição gratuita já cobrem parte dos remédios para pressão e colesterol, e o governo estuda ampliar o alcance da rede, com discussão em andamento para que a Farmácia Popular passe a oferecer exames e testes rápidos. Um comprimido único reduziria o número de retiradas na farmácia e o custo logístico por paciente.
Interessados podem procurar o contato divulgado pela equipe do estudo para saber qual centro atende a região e quais exames são feitos na triagem. A participação é voluntária e não substitui o acompanhamento médico de rotina.