SP tem 18 mortes por febre maculosa em 19 casos confirmados
Dados da Secretaria de Estado da Saúde cobrem janeiro a julho e apontam letalidade acima de 90%
O estado de São Paulo confirmou 19 casos de febre maculosa entre janeiro e julho de 2026 e registrou 18 mortes no mesmo período, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). Os números foram divulgados nesta terça-feira, 11 de agosto, e apontam letalidade acima de 90%, patamar muito acima da média histórica da doença.
As mortes se concentraram nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo do Campo. São áreas de forte circulação de pessoas entre a cidade e o campo, com trilhas, pesqueiros, chácaras e represas em uso o ano inteiro.
Por que a doença mata tanto
A febre maculosa é transmitida pela picada do carrapato infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii. O problema está no início do quadro: os primeiros sintomas são inespecíficos e se confundem com dengue, viroses comuns e leptospirose. Febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar aparecem nos primeiros dias, e é nessa janela que o antibiótico funciona.
Quando o tratamento demora, a doença avança rápido. A partir do terceiro dia surgem manchas avermelhadas na pele, seguidas de lesões arroxeadas em mãos e pés, gangrena nas extremidades e paralisia progressiva. A mortalidade pode chegar a 80% quando o antibiótico não é iniciado logo, segundo a orientação divulgada pela secretaria paulista.
O ponto que os serviços de saúde repetem é simples e vale para qualquer paciente: quem teve febre alta depois de frequentar mata, pasto, margem de rio ou área com capivara precisa informar isso ao médico. A informação muda a conduta e antecipa o antibiótico.
O detalhe que costuma passar batido é o tamanho do transmissor. A forma jovem do carrapato, conhecida como micuim, mede menos de dois milímetros e passa despercebida na pele. A pessoa picada muitas vezes não lembra de ter tido contato com carrapato nenhum, o que atrasa a suspeita clínica e joga o paciente para dentro da janela em que a doença já avançou.
Como se proteger em trilha e área rural
As medidas indicadas pela SES-SP valem para quem visita áreas de mato em qualquer estado, inclusive nos parques e nas áreas rurais do Distrito Federal.
- Usar calça comprida, botas e roupas de cor clara, que facilitam enxergar o carrapato.
- Inspecionar corpo e roupas depois do passeio, com atenção a dobras, couro cabeludo e virilha.
- Retirar o carrapato com pinça, sem esmagar o corpo do animal.
- Proteger cães com coleiras e repelentes indicados por veterinário.
- Procurar atendimento ao primeiro sinal de febre depois da exposição.
A retirada do carrapato pede cuidado específico. A pinça deve pegar o animal o mais próximo possível da pele e puxar em movimento firme e contínuo, sem torcer nem esmagar o corpo, porque a pressão empurra o conteúdo do carrapato para dentro da picada. Depois, lave o local com água e sabão.
A febre maculosa é doença de notificação compulsória em todo o país, o que obriga qualquer serviço de saúde a comunicar o caso suspeito à vigilância epidemiológica. É esse registro que permite mapear a área de risco e orientar o bloqueio local. O tratamento existe, é barato e está disponível na rede pública. O que decide o desfecho é o tempo entre o primeiro sintoma e a primeira dose.
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