Caso Naskar: o que dizem as defesas dos investigados na fraude milionária
Advogados negam participação no desvio de R$ 75 milhões da Zema Financeira; fintech é investigada pela Polícia Civil do DF por prejuízo estimado em R$ 900 milhões
As defesas dos investigados no esquema que desviou R$ 75 milhões da Zema Financeira, instituição ligada à família do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, negam participação nos crimes e pedem que as condutas sejam analisadas individualmente. As manifestações foram apresentadas nos últimos dias, à medida que a investigação avançou.
O caso tem dois eixos que se cruzam. Um deles é a invasão dos sistemas da financeira, apurada em Minas Gerais e em Goiás. O outro é a atuação da fintech Naskar, investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal por prejuízo estimado em R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores em todo o país.
O que dizem os investigados
Douglas Silva de Oliveira Azara, apontado pelos investigadores como organizador do esquema e atualmente fora do país, afirmou: "Não estou envolvido nisso. Utilizaram minha plataforma bancária para tal feito, mas já está sendo provado na Justiça que possuo zero envolvimento de fato".
Não foi apresentado qualquer documento, extrato bancário, comprovante ou outro elemento concreto que demonstre a existência dessas supostas movimentações
A frase é do advogado Marcelo Teixeira de Sousa, que defende Jessika Lorrane Bastos de Castro. Ele contesta a alegação de que teriam ocorrido movimentações financeiras vultosas nas contas bancárias da cliente.
O advogado Hauany Pimenta, que representa Marllon Henrique Castro e Silva, sustenta que o contato do cliente com pessoas ligadas à empresa citada no procedimento "limitou-se ao âmbito estritamente profissional, em razão de contratação para a prestação de serviços técnicos de tecnologia da informação".
A posição da empresa atingida
A Zema Consultoria afirmou que ataques desse tipo têm atingido instituições financeiras dentro e fora do país. "Isso exige atuação cooperativa entre entidades públicas, privadas e o sistema de justiça. Confiantes no trabalho das autoridades, aguardaremos a conclusão das investigações", diz a nota.
Como funcionava a captação
Segundo a apuração da Polícia Civil do Distrito Federal, a Naskar captava recursos de clientes com promessa de rendimento de 2% ao mês, percentual acima do que o mercado oferecia no período. A empresa operou por cerca de 13 anos até interromper os pagamentos aos investidores em maio deste ano.
A investigação sobre o desvio da financeira aponta o uso de 19 empresas de fachada para movimentar os valores. Entre as pessoas citadas está uma mulher de 77 anos, avó de Azara, para cujo nome a titularidade da Naskar foi transferida. A polícia registrou que ela tem diagnóstico de Alzheimer.
O que fazer se você investiu
Quem aplicou recursos na fintech e não recebeu os valores deve registrar ocorrência na Polícia Civil e reunir a documentação da relação com a empresa: contratos, comprovantes de transferência, extratos e trocas de mensagem com os representantes.
- Registro de ocorrência pode ser feito na Delegacia Eletrônica da PCDF ou presencialmente
- Guarde comprovantes de todas as transferências e o contrato de investimento
- A reclamação também cabe no Banco Central, quando a instituição atua sem autorização
- Promessa de rendimento fixo muito acima do mercado é o sinal de alerta mais frequente nesse tipo de caso
Todos os investigados são tratados como suspeitos até que haja condenação com trânsito em julgado. Nenhum dos apontados foi julgado até agora, e as defesas seguem podendo se manifestar em todas as etapas do processo.