Mulher ligada a tráfico de pessoas é presa no Gama e levada à PF
Comparsa apontada no mesmo esquema foi detida pela polícia da Bósnia ao deixar o Brasil
Uma mulher de 38 anos procurada pela Justiça por envolvimento em tráfico de pessoas foi presa por policiais militares do Patrulhamento Tático Móvel, o Patamo, no Gama, na noite desta quinta-feira, 17 de setembro. A suspeita foi levada à sede da Polícia Federal, que conduz a investigação.
Segundo o Correio Braziliense, as equipes procuravam por outra mulher, também suspeita de traficar pessoas e de submetê-las a condição análoga à de escravo. Essa segunda investigada deixou o Brasil e acabou detida pela polícia da Bósnia. Durante a diligência, a Justiça expediu um segundo mandado de prisão, dessa vez contra a mulher de 38 anos, o que permitiu a prisão no Gama.
O elo entre as duas investigadas
As apurações apontam ligação entre a presa no Gama e a detida na Bósnia. As duas atuariam no recrutamento de pessoas moradoras de cidades do interior do país. O modus descrito no inquérito é o aliciamento com oferta de trabalho fora do local de origem, etapa que costuma anteceder a exploração.
Os crimes apontados no mandado são os previstos nos artigos 149 e 149-A do Código Penal:
- Artigo 149, redução a condição análoga à de escravo, com pena de dois a oito anos de reclusão, além da pena correspondente à violência;
- Artigo 149-A, tráfico de pessoas, com pena de quatro a oito anos de reclusão e multa, agravada quando a vítima é retirada do território nacional.
Nenhuma das duas foi condenada. A investigação está em curso e ambas respondem como suspeitas.
Por que o caso é da Polícia Federal
Tráfico de pessoas com deslocamento internacional é competência da Justiça Federal, e a apuração cabe à PF. Quando a prisão é feita pela Polícia Militar, como nesse caso, a suspeita é encaminhada à superintendência para lavratura e apresentação ao juízo federal em até 24 horas, na audiência de custódia.
O Distrito Federal funciona como ponto de trânsito nesse tipo de rede por dois motivos práticos: o aeroporto internacional e a rodoviária interestadual concentram deslocamento de pessoas recrutadas em outras unidades da federação. Por isso, boa parte das ocorrências registradas aqui envolve vítima que não é do DF.
Onde denunciar
A denúncia pode ser anônima e não exige prova. Os canais que recebem no DF:
- Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, que funciona 24 horas;
- 181, disque-denúncia da Secretaria de Segurança Pública do DF;
- 190, quando há risco imediato à integridade de alguém;
- Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do DF, ligado à Secretaria de Justiça e Cidadania, que faz acolhimento e encaminhamento de vítimas. O DistritoNews detalhou quais canais recebem denúncia no Distrito Federal.
Sinais que costumam aparecer nos casos investigados: promessa de emprego com salário fora da realidade em outra cidade ou país, retenção de documento pelo suposto empregador, cobrança de dívida por transporte e hospedagem, e restrição de contato com a família.
A Polícia Federal não havia publicado nota sobre a prisão em seu site oficial até a publicação desta reportagem. O nome da suspeita não foi divulgado.