Operação da Draco mira fraude em contas de luz e prejuízo de R$ 10 milhões
Polícia Civil cumpriu cinco prisões e 18 buscas contra grupo que simulava pagamento de faturas no sistema da concessionária
A Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (11) a Operação Crédito Nero contra um grupo suspeito de fraudar o pagamento de faturas de energia elétrica em endereços do DF e de lavar o dinheiro obtido com o esquema. As investigações apontam prejuízo superior a R$ 10 milhões.
Mais de 100 policiais cumpriram cinco mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão. As diligências foram concentradas em São Sebastião, Recanto das Emas, Samambaia, Taguatinga e Sobradinho, além de Águas Lindas de Goiás, no Entorno.
Como o esquema funcionava
Segundo a apuração da Draco, um intermediário procurava moradores e síndicos de condomínios e se apresentava como alguém que tinha créditos junto à concessionária de energia. A oferta era quitar faturas atrasadas com desconto, mediante transferência por Pix.
Parte do dinheiro recebido era repassada a dois moradores de São Sebastião apontados como responsáveis por inserir informações falsas no sistema interno da empresa, o que simulava a quitação das contas. Na prática, a fatura aparecia como paga sem que o valor entrasse no caixa da concessionária.
Para dificultar o rastreamento, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros, de familiares e de empresas de fachada. Os investigados respondem por estelionato, fraude e lavagem de dinheiro.
A denúncia que abriu a investigação
O caso começou em 2024, quando um condomínio do Lago Norte procurou a Polícia Civil e relatou ter sido vítima do intermediário. Só naquele endereço, o prejuízo passou de R$ 345 mil. A partir da ocorrência, os policiais identificaram um padrão que se repetia em outros condomínios da capital e chegaram à estrutura interna que dava suporte à fraude.
A Neoenergia informou que identificou irregularidades no sistema em 2024 e levou o caso à Polícia Civil, o que deu origem à apuração.
- Operação: Crédito Nero, da Draco/PCDF
- Data: manhã de terça-feira, 11 de agosto de 2026
- Mandados: 5 de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão
- Efetivo: mais de 100 policiais
- Prejuízo estimado: mais de R$ 10 milhões
- Crimes apurados: estelionato, fraude e lavagem de dinheiro
O que o consumidor deve observar
O esquema atingiu principalmente condomínios, onde a conta de energia costuma ter valor alto e o pagamento passa por administradoras e síndicos. Nenhuma distribuidora de energia oferece quitação de débito por meio de intermediário particular nem aceita pagamento por Pix para conta pessoal. A negociação de fatura atrasada é feita nos canais oficiais da concessionária, com emissão de boleto em nome do titular da unidade consumidora.
Quem desconfiar de cobrança irregular pode conferir a situação da conta diretamente no aplicativo ou na agência da distribuidora e registrar ocorrência na delegacia mais próxima. No caso de condomínios, a checagem do comprovante de arrecadação junto à concessionária antes de repassar qualquer valor é o passo que teria evitado o prejuízo relatado no Lago Norte.
Os presos ficam à disposição da Justiça. A Polícia Civil informou que o material apreendido nos 18 endereços será periciado e pode ampliar o número de investigados. Leia também: bandeira tarifária de agosto e o impacto na conta de luz do DF.